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AS LÍNGUAS E OS MATERIAIS DA BÍBLIA

Vimos até este momento os dois primeiros elos sobre a Bíblia:

è A inspiração (Aulas 1 a 5)

è A canonização (Aulas 6 a 10)

Nesta terceira parte de nosso estudo vamos nos concentrar na transmissão da Bíblia. As traduções pelas quais passou até chegar aos nossos dias. Como foi a recuperação destes textos e os materiais usados para sua transmissão. Vamos ver alguns dos principais manuscritos da Bíblia, já que ela nem sempre esteve compilada num único livro.

A importância das línguas escritas

è Meios alternativos de transmissão

Deus tinha várias alternativas para transmitir sua palavra aos homens(Hb. 1:1)

ΠAnjos РGn. 18 e 19; Ap. 22:8-21

 Urim e Tumim – Ex. 28:30; Pv. 16:33

Ž Voz da consciência – Rm. 2:15

 Criação – Sl. 19:1-6

‘ Vozes audíveis – 1 Sm 3

’ Milagres diretos – Jz. 6:36-40

Todos estes meios eram válidos e funcionaram, porém se tornam muito subjetivos com o passar do tempo.

è A língua escrita em geral

Deus decidiu fazer com que as palavras que ele havia dito aos profetas e apóstolos permanecesse ao longo do tempo e fosse imortalizada. Deus então resolveu registrar sua palavra, um registro objetivo e muito mais fácil de transmitir.

Vantagens da palavra escrita:

Œ Precisão – Para que um pensamento seja escrito, é necessário que o mesmo tenha sido claramente compreendido pelo autor. O leitor por sua vez, pode entender muito mais facilmente a palavra escrita.

 Permanência – Por causa de nossos lapsos de memória a palavra escrita pode preservar nossos pensamentos.

Ž Objetividade – Uma vez que os pensamentos já estão formados basta registrá-los.

 Disseminação – A capacidade de propagação da palavra escrita é muito grande, e não se corre o risco de perder-se a idéia principal de um pensamento.

Os idiomas originais

Foram utilizados três idiomas diferentes na escrita dos diversos livros da Bíblia: o hebraico, o grego e o aramaico. Em hebraico consonantal foi escrito todo o Antigo Testamento, com excepção dos livros chamados deuterocanônicos (Apócrifos), e de alguns capítulos do livro de Daniel, que foram redigidos em aramaico.

Em grego comum, além dos já referidos livros deuterocanônicos do Antigo Testamento, foram escritos praticamente todos os livros do Novo Testamento. Segundo a tradição cristã, o Evangelho de Mateus teria sido primeiramente escrito em hebraico, visto que a forma de escrever visava alcançar os judeus.

O hebraico utilizado na Bíblia não é todo igual. Encontramos em alguns livros o hebraico clássico (por ex. livros de Samuel e Reis), em outros um hebraico mais rudimentar e em outros ainda, nomeadamente os últimos a serem escritos, um hebraico elaborado, com termos novos e influência de outras línguas circunvizinhas.

O grego do Novo Testamento, apesar das diferenças de estilo entre os livros, corresponde ao chamado grego koiné (isto é, o grego “comum” ou “vulgar”, por oposição ao grego clássico), o segundo idioma mais falado no Império Romano.

Materiais e instrumentos de escrita

      • Tabletes de Argila, ou tabuinhas de barro, que eram usadas na antiga Suméria, já em 3.500ª.C. No AT há referência delas em Jeremias 17:13 e Ezequiel 4:1;
      • Pedras foram usadas na Mesopotâmia, no Egito e na Palestina, por exemplo, o código de Hamurábi e as pedras de Roseta. Na bíblia há citação de seu uso em Êxodo 24:12; 32:15 e Deuteronômio 27:2,3;
      • Pedras preciosas, como o ônix, referidos em Êxodo 39:6-14;
      • Metal, em lâminas de ouro, cuja referência bíblica encontra-se em Êxodo 28:36;
      • Cera foi referida em Isaías 8:1;
      • Madeira, tábuas, em Habacuque 2:2.
      • Óstracos, pedaços de restos de azulejos e cascas de crustáceos, referidos em Jó 2:8;
      • Linho foi usado no Egito, Grécia e Itália, mas não tem referência bíblica.
      • Papiro foi usado na antiga Gebal, ou Biblos, e no Egito por volta de 2100 a.C. Era obtido através da prensa de cascas coladas. Desse material faziam-se rolos. Foi esse o material utilizado por João, o discípulo de Cristo, para escrever o Apocalipse.
      • Pergaminho, surgiu pela primeira vez em Pérgamo, cidade grega da Mísia, daí a origem do seu nome. O uso desse material se expandiu devido ao monopólio imposto pelos exportadores de Papiro. Havia dois tipos: o pergaminho e o velino, o primeiro era feito com o couro de animais menores, como as ovelhas e cabras, e o segundo com bois e antílopes, o que encarecia o produto, diminuindo a sua utilização. Paulo se refere ao pergaminho em 2Timóteo 4:13;
      • Palimpsesto, um pergaminho reutilizado, utilizado para escrever o Códice Efraimita em 345 d.C.
As ferramentas de Escrita
      • Estilo ou Estilete simples – feitos em pedra talhadas, no formato de pontas de lanças, e usados sobre tabuinhas de argila ou cera. Alguns autores bíblicos também a denominavam pena.
      • Estilete ponta resistente – ponta feita em ferro ou diamante, usados em material de metal (Jr 17:1).
      • Cinzel – ferramenta feita de ferro ou chumbo para escrever sobre pedra. Jó se refere ao cinzel como pena de ferro (Jo 19:24).
      • Canivete – Jeremias usa a expressão “canivete de escrivão” que era usado para documentos oficiais.
A preparação dos manuscritos
Os escritos originais, saídos da mão do profeta ou apóstolo eram chamados de autógrafos, e já não existem mais.
è Velho Testamento – Não existem manuscritos que foram feitos antes do cativeiro babilônico (586 a.C.). Após este período houve uma avalanche de manuscritos produzidos pelas sinagogas. Existiam dois tipos de produção: os particulares e os rolos das sinagogas. OS rolos das sinagogas eram tidos como sagrados por causa das rígidas regras que regiam a sua produção. Eram usados nos cultos, leituras públicas e festas anuais. As cópias particulares eram consideradas cópias comuns, mas mesmo assim sujeitas a algumas regras de produção. Custava muito dinheiro ter uma cópia particular de toda escritura na época.
è Novo Testamento – Os autógrafos desapareceram há muito tempo, porém existem evidências de que foram escritos em rolos e livros de papiro, entre os anos de 50 e 100 d.C. No começo do século II, com a chegada das perseguições, as cópias sistemáticas pararam, e depois da legalização do Cristianismo com Constantino, voltaram a ser feitas, desta vez usando-se o velino e o pergaminho. Só na época da Reforma(século XVI) é que haveriam as primeiras cópias impressas da Bíblia toda.
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