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O conhecimento de Deus

Ao ler, estudar e interpretar a Bíblia devemos fazê-los sob a ótica de que Deus é o foco de toda história. De Gênesis a Apocalipse vemos o cuidado de Javé com seus escolhidos.

Suas promessas vão se cumprindo, mesmo em face da infidelidade humana, e sua revelação progressiva vai preenchendo a linha cronológica da nossa história.

Nos dias atuais, o homem tem se tornado o centro da teologia (uma grande incoerência aliás), das músicas e até mesmo da liturgia. Deus tem sido relegado ao papel de mero servente do homem, uma espécie de mordomo de luxo.

Porém, somos informados de que a criação serve ao propósito da adoração e louvor à glória do Deus criador de todas as coisas.

Desde o início Deus quis se relacionar com a coroa da sua criação: o homem. Neste relacionamento Divino/humano deveríamos dar a glória devida a ele.

Jesus fala sobre isso com o pai, e vejam o conceito que ele tinha de vida eterna, descrito no evangelho de João capítulo 17 versículo 3:

Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Durante a leitura da perícope, a questão do relacionamento e glória de Deus estão juntos. Jesus veio revelar a glória do pai para que o mundo lhe desse a glória devida, propósito para qual fomos criados, como descrito acima.

Logo, a questão do conhecimento de Deus está interligada ao relacionamento com Deus, que, em última análise, redundará na glória devida a ele.

Algumas pessoas erroneamente pensam que não se pode estudar sobre Deus, nem mesmo ter um conhecimento intelectual sobre Deus, pois colocam suas experiências acima da palavra que Deus mesmo revelou a nós. Deus pode apenas ser experimentado, não conhecido. Fazem de Deus um produto.

Em sua palavra escrita Deus mesmo nos deixou uma instrução que derruba o argumento dos empiristas teológicos. Vamos dar uma olhada no que diz Jeremias, no capítulo 9 versos 23 e 24.

23 Assim diz o Senhor : “Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza,
24 mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me,pois eu sou o Senhor e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado”, declara o Senhor .

Notem que, nosso próprio conhecimento não serve para muita coisa, mas Deus nos capacitou para o compreendermos e conhecê-lo. E ele nos diz que se agrada de quem busca este conhecimento.

O gênero de Deus

A Bíblia nos diz que Deus é o nosso pai. Mas será que Deus é do gênero masculino?

Para entedermos melhor isto é necessário nos lembrar de que a Bíblia foi escrita por judeus e primeiramante para judeus. A sociedade judaica era patriarcal, ou seja, o pai detinha a autoridade do lar.

Logo, para os judeus, quando era ensinado que Deus era o pai celestial logo vinha à mente a autoridade e provisão que um pai terreno oferecia.

Então, o conceito de Deus como pai é apenas uma metáfora para melhor o compreendermos , pois a Bíblia nos diz que Deus é espírito (João 4:24).

A eternidade de Deus

Deus é o criador de todas as coisas, e não está sujeito ao tempo linear, como nós estamos. Porém, em sua revelação progressiva ele intervém em nossa linha do tempo.

Vemos que Deus vive e se move fora da nossa linha cronológica, pois seu propósito é eterno, mas se manifesta em nossa finitude. Veja o que o apóstolo Paulo escreve para os  efésios no capítulo 3 verso 11:

10 A intenção dessa graça era que agora, mediante a igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornasse conhecida dos poderes e autoridades nas regiões celestiais,
11 de acordo com o seu eterno plano que ele realizou em Cristo Jesus, nosso Senhor,

Notem que o plano era eterno, mas se manifestou em nosso chronos por meio de Jesus Cristo.

O Antigo testamento também nos dá uma idéia da eternidade de Deus no Salmo 90 versículo 2:

2 Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo,de eternidade a eternidade tu és Deus.

O original hebraico traz a palavra ôlam significando eternidade para frente ou para traz com ênfase na repetição.

Pedro também nos dá um conceito interessante de que Deus não está sujeito ao nosso chronos:

Não se esqueçam disto, amados: para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. (II Pedro 3:8)

O tempo, para Deus, é apenas uma ferramenta para ele estabelecer, e cumprir, seu propósito. Vamos ler o Paulo diz aos Gálatas sobre a questão do tempo e do seu propósito:

Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei, (Gálatas 4:4)
Deus tem autoridade para estabelecer o tempo, isso nos prova que Deus é Senhor do tempo também.
Ele lhes respondeu: “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade. (Atos 1:7)

Deus existe antes de tudo, por isso é completamente independente de tudo e de todos.

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  1. tecnar
    09/06/2010 às 9:23 PM

    tecnar :Conhecer Deus deveria ser o maior projeto do ser humano. Tudo é feito neste mundo para desviar o homem deste propósito. Bem aventurados os que percebem esta verdade!

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