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A pessoa e obra de Cristo

A carta aos colossenses(1:15-23) exalta de forma magnífica a pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo. Os hereges, da cidade de Colossos, o haviam diminuído a um simples agente de um complicado processo de livramento deste mundo perverso.

Na perícope compreendida entre os versos 15 e 23 do primeiro capítulo, Paulo coloca em preeminência a obra criativa e redentora de Cristo, e inicia um amplo debate cristológico. É interesante notar que, neste trecho, o desenvolvimento cristológico de Paulo não é um tratado teológico separado, um apêndice, mas sim, uma continuação da oração iniciada no verso 9 do capítulo 1, e serve também para explicar a expressão “Filho Amado” do verso 13.

Os termos que Paulo usa só podem ser aplicados à deidade, e tem seu ápice na declaração de que, em Cristo, habita toda a plenitude. Alguns estudiosos sugerem que os versos 15 a 20 são citações de um antigo hino de louvor a Cristo.

Cristo é a imagem, ou a exata representação do Deus invisível. Embora fosse plenamente humano, Jesus era muito mais do que meramente humano. Nos versos 15 a 17, Paulo destaca a plena divindade de Jesus. Deus, por ser espírito, não pode ser visto pelo ser humano, porém, no Cristo encarnado, o próprio Deus se faz visível ao homem.

Como criador, ele é anterior a toda criação, é o primogênito da criação, sendo o próprio criador. Isto não significa que Jesus é um ser criado, mas sim que ele tem a primazia sobre tudo aquilo que foi criado. Ou seja, Jesus não é primogênito na criação, mas o primogênito de toda a criação. No mundo antigo o primogênito era o herdeiro direto de seu pai, e foi isso que Paulo quis transmitir a seus leitores.

Paulo nos ensina que Jesus é o agente de toda criação, porque nele foram criadas todas as coisas. Ele é a meta da criação, e toda criação gira em torno dele. Jesus também é apontado como o conservador e sustentador da integridade de toda a criação, conforme nos diz o original em grego sunesteken. Foi uma resposta ao demiurgo gnóstico, um criador semi divino. Como soberano, e prototokos, da criação ele tem autoridade sobre anjos e espíritos de qualquer categoria.

Paulo defende que Cristo é o cabeça da igreja. Assim como Cristo tem a preeminência na criação deve ter na igreja também. Por causa de sua relação especial com a igreja, sobre a qual tem suprema autoridade, dirige e controla todas as suas atividades, seu corpo espiritual. Ele é a fonte da qual a igreja recebe seu sustento, e a metáfora de Cristo como kefale da igreja é um forte indicador de sua união íntima com a igreja, seu povo remido. Desta forma, a igreja, comunidade dos remidos, está unida com Cristo, e cada um dos que fazem parte da igreja, estão unidos uns aos outros, pois Cristo é o cabeça do corpo, que é a igreja. Isto significa que a igreja, como corpo visível de Cristo na terra, é o seu instrumento neste mundo.

Paulo diz que Cristo é também o agente divino da reconciliação. Cristo, por meio da sua morte sangrenta, trouxe a paz entre o homem e Deus, pois, por consequência do pecado, o homem estava na posição de inimigo de Deus. Desta forma, o pecador é reconciliado, passando do estado de hostilidade e aversão a Deus, para santos e inculpáveis diante de Deus. Paulo usa a palavra apokatallaxai, que significa trocar inimizade por amizade.

O primeiro aspecto da reconciliação é que a morte de Cristo propicia a ira de Deus, e o homem fica em um estado que pode receber a amizade de Deus. Um segundo aspecto da reconciliação é o relacionamento pessoal e íntimo entre Deus e o homem que nele crê, expresso anteriormente pela metáfora do corpo simbolizando, Cristo e a igreja.

O conceito de Paulo sobre a reconciliação não é a salvação final de todos os seres, o universalismo, mas tem a idéia de trazer todas as coisas sob a autoridade e domínio de Deus, algumas para salvação, outras para juízo. Este trecho então, se refere à soberania de Cristo sobre todas as coisas, e não a salvação de todas as coisas. A condição para a apresentação diante de Deus sem culpa e mácula é manter a fé firme, e se apegar ao evangelho que Paulo pregou. Posto de outra forma, a reconciliação pode somente ser completada por meio da fé, ou os benefícios da cruz não se concretizam na vida do indivíduo.

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Categorias:Cristologia
  1. 13/04/2010 às 4:23 PM

    Oi Alexandre
    Por favor, me ajude com algumas duvidas:
    Estou estudando as epistolas de Paulo.
    Por que as epistolas sao divididas em capitulos? Paulo fez essas divisoes?
    Tambem gostaria de entender por que Paulo se refere a “santos”, as pessoas que se tornaram santos nao foram canonizadas pela Igreja Catolica, depois dessa epoca em que Paulo escreveu as epistolas?
    Obrigada pela atencao
    meu e-mail: fabianasetembro@hotmail.com
    Fabiana

    • Alexandre Milhoranza
      13/04/2010 às 6:43 PM

      Boa noite Fabiana! Muito obrigado pela visita ao Blog!

      Quanto às dúvidas, vamos lá!

      Nem Paulo, nem qualquer autor bíblico escreveu seus textos sagrados usando capítulos e versículos. Estas foram adições posteriores à Bíblia. No século XIII houve a divisão dos livros da Bíblia em capítulos,e, no século XVI a divisão destes capítulos e versículos.

      Foram criados apenas para facilitar a busca do texto, e, em um estudo mais profundo da Bíblia não devem ser utilizados, mas prefira a divisão por parágrafos, bem melhor neste caso. Ainda, se for uma carta, leia-a toda para poder saber o assunto que é tratado, depois proceda ao estudo por parágrafos.

      Com relação aos santos citados por Paulo, se trata daqueles que foram chamados e salvos por Jesus, ou seja, os separados por Deus. Lembre-se que, desde o Antigo testamento Deus quer fazer de seu povo uma nação santa e sacerdócio separado, e é isso que a palavra santos, utilizada por Paulo e outros escritores, quer dizer.

      Grande abraço e Deus a ilumine na compreensão de sua palavra.

  2. 29/03/2010 às 10:00 PM

    Cristo Jesus:
    Ele é totalmente desejável. Nenhum outro ser a não ser de Jesus Cristo pode ser dito tais palavras. Não existe grandeza superior a Ele. Toda sabedoria humana é arrasada por tolice. Não existe bondade que pode ser equiparada a d”Ele. Jesus Cristo é o único do qual se pode afirmar que n’Ele tudo é amável e belo.
    A beleza de Cristo está em Sua perfeita humanidade. Ele foi tão humano como qualquer um de nós, se identificou conosco em tudo, menos em nossos pecados e em nossa natureza má. Como homem cresceu fisicamente e também na graça. Ele como homem trabalhou, chorou, orou e amou, foi fiel em todas as coisas, assim como nós somos tentados Ele também foi tentado, mas peramenceu sem pecado. Como Filho de Deus entrou em nossas vidas de forma simples e natural, tornou-se amigo dos que o procuram, como se fosse o vizinho da esquina. Ele não olha para os nossos pecados e deslizes, porém entra em nossa vida como uma avalanche e varre todos os nossos pecados transformando nossa vida, como um rio limpo e transparente lava nossa alma tirando toda a contaminação.É ele que limpa nossa vida com sua força.
    Ele é compaixão perfeita. Ele não procura pessoas que mereçam sua compaixão, mas se compadece de todos. Ele cura os enfermos, levanta os abatidos, dá forças aos desesperados. Nas suas mãos estão as marcas de seu amor: os cravos pelos quais foi pregado na cruz. Mesmo sendo crucificado não perdenu a humildade e continou amável.
    Ele, o único que poderia ter escolhido como desejava nascer, entrou nesta vida como um dentre muitos. Ele disse: “…no meio de vós, eu sou como quem serve” e para provar isso “deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido”. Ele quando ultrajado, não revidou com ultraje.
    Jesus Cristo é meigo, fiel, altruísta e devotado. Até na hora da Sua morte, Ele ouviu o clamor de uma fé em desespero. Ele sempre mostrou um perfeito equilíbrio interior. Ainda poderíamos falar muito sobre Ele, mas isso é suficiente para mostrar os traços de um caráter perfeito e um equilíbrio maravilhoso. Sua mansidão nunca é delicada demais, sua coragem jamais é bruta.
    Como homem (igual a nós) ou como Deus (nosso Senhor e Salvador) Ele é totalmente desejável. A ele devemos nos render e aceitá-Lo como Salvador pessoal e igualmente descobrir Sua glória, pois Ele disse: “Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna”

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