Introdução

O pecado é um tema importante no Antigo Testamento. Enquanto a maneira de se fazer o bem é descrita poucas vezes, a maneira de se agir errado é descrita de muitas formas. Isto fica claro pelos diferentes nomes com os quais é tratado na Bíblia, tais como desgraça e má escolha, mas principalmente como a definição de um comportamento contrário a uma norma estabelecida (EICHRODT, 2004, p. 823).

Alguns entendem o processo do pecado como a “queda” da humanidade. Mas, Eugene Merril diz que o termo queda não ocorre nenhuma vez na Bíblia, porém entende ser uma boa palavra para descrever o estado do homem após sua rebelião contra Deus, pois a humanidade se afastou, abandonou sua condição original na criação, e agora está abaixo da condição de benção que Deus havia estabelecido (MERRIL, 2009, p. 203).

A Bíblia trata da questão do pecado de forma contundente, pois a ruptura causada pelo pecado abrange, além do próprio ser humano, todo mundo à sua volta. O pecado trouxe a ruptura com o próprio Criador, que chamaremos de ruptura teológica. Além da ruptura teológica, o pecado causou a ruptura sociológica, ou seja, o distanciamento entre os seres humanos. Igualmente, o pecado provocou a ruptura psicológica, onde observamos a vergonha que o homem sentiu de si mesmo quando se percebeu nu. E, não menos importante, o pecado ocasionou a ruptura ecológica, cujos efeitos foram vistos na produção de ervas daninhas sobre a Terra.

A Bíblia, apesar de versar sobre a dignidade e o valor humanos, está muito mais preocupada em tratar de sua profunda necessidade da salvação do pecado, pois há muitos exemplos da tragédia, culpa e alienação que este gerou no homem. Alguns teólogos tentam minimizar a questão da culpa e do pecado no homem, porém Walther Eichrodt afirma que além do sentido religioso, há o emprego do sentido jurídico, como um delito ou crime. A descrição de pecado pela raiz `-w-h deriva de um verbo de movimento que significa “dobrar, girar, desviar-se do bom caminho”, onde fica implícita a idéia da culpabilidade do agente (EICHRODT, 2004, p. 824). Bruce Milne diz que a razão para esta minimização do pecado se deve à teoria da evolução, à teoria socioeconômica da Karl Marx, à abordagem psicanalítica de Sigmund Freud e o secularismo do mundo moderno.

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