Escatologia de Mateus – Contexto histórico-literário

Contexto histórico-literário

Antes de estudarmos o trecho de Mateus capítulo 24 é importante investigarmos o pano de fundo histórico e consultarmos, mesmo que brevemente, a literatura classificada como apocalíptica, que foi produzida no período intertestamentário.

A literatura apocalíptica é considerada filha da profecia, pois contém muitos traços em comum. Porém ambos os tipos de literatura pertenciam a uma minoria em sua própria época, mas gozaram de grande popularidade nas gerações seguintes, muitas vezes para influenciar a população a respeito do fim do mundo, do que propriamente para informar sobre (DEWICK, 1912, p. 51).

Os profetas, especialmente os literários, provocaram a ira dos religiosos de sua época, assim como a literatura apocalíptica foi considerada com grande desgosto pelos rabis. Tanto a literatura profética, como a apocalíptica sempre surgiram em períodos de tribulação e crise na história judaica, e cresceu muito diante das perseguições dos impérios conquistadores; ademais o escritor apocalíptico se assemelhava muito com os profetas em sua fé na Providência Divina. Porém, as diferenças entre estes dois estilos também devem ser mencionadas. Em primeiro lugar, a religião do Profeta era do Espírito, e seus escritos traziam grandes princípios morais. Já a apocalíptica era uma religião autoritária, com seus escritos contendo visões de terceiros, ou seja, uma mensagem reproduzida. Mas, acima de todas as diferenças, está a forma literária que os escritores apocalípticos usavam, pois, para dar crédito à sua produção, geralmente anônima, se utilizavam dos nomes dos grandes patriarcas hebreus (DEWICK, 1912, p. 54).

Diante deste pequeno quadro histórico, passemos a estudar o capítulo 24 de Mateus, que faz parte do último discurso de Jesus. É interessante notar que Mateus usa uma estrutura de texto bastante conhecida na literatura hebriaca, o quiasmo. Isso fica claro quando vemos que o primeiro discurso de Jesus (Mt. 5-7) foi em um monte, e seu último discurso também foi em um monte (Mt. 23-25). O contraste entre os dois grandes discursos fica por conta das bem-aventuranças do primeiro com as advertências proféticas desse último (GUNDRY, 2008, p. 252).

Jesus estava em sua viagem final para Jerusalém e usou a própria paisagem ao longo do caminho para ensinar aos discípulos acerca de sua rejeição pelos líderes judeus e as condições envolvidas no discipulado após sua morte.

Como sua morte era iminente, Jesus fala profeticamente para preparar seus discípulos sobre o que esperar do futuro, inclusive sobre a reabilitação de Israel (PINTO, 2008, p. 55).

Este trecho do discurso foi dito logo após Jesus sair do templo pela última vez, e aborda a destruição de Jerusalém, o seu retorno à terra e o fim do mundo (HALLEY, 2001, p. 483). Todo esse discurso foi a resposta para as questões feitas pelos discípulos em relação à destruição de Jerusalém e o tempo do acontecimento dessas coisas relatadas acima(PINTO, 2008, p. 57).

A primeira parte do texto (Mt. 24:4-28) diz que a destruição de Jerusalém não será o fim, ainda.  Será um tempo de extrema perseguição sobre os discípulos, com o advento de muitos falsos messias. Porém, Jesus adverte que estes sinais, além dos terremotos, guerras e fome, não são os sinais da sua vinda (GUNDRY, 2008, p. 254). Contudo não será possível ignorar a sua segunda vinda, pois os sinais externos serão fantásticos em comparação com os falsos messias. Mateus, neste último discurso, registra a preocupação de Jesus com seus discípulos permanecerem alertas durante sua segunda vinda, e isso fica evidente com as cinco parábolas, que indicam uma aparente demora na vinda do Reino (PINTO, 2008, p. 57).

Além disso, em meio à perseguição e o abandono da fé por muitos que se diziam discípulos, haverá a pregação massiva do evangelho em todas as nações.

Jesus ainda faz menção do profeta Daniel (Dn. 9:24-27) e a pressão para Israel aceitar um falso messias até que Jesus venha definitivamente como Rei (Mt. 24:15-28).

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  1. Ednaldo
    10/02/2012 às 5:50 PM

    O estudo começou até legal, embora coerente, deixou muito a desejar, foi muito superficial.
    Em minha opinião foi uma propaganda enganosa. Quando começamos a ler pensamos que o escritor vai mais além, no entanto fiquei frustrado. A minha sugetão é que dê-se continuidade ao estudo e fale muitas outras coisas que estão descritas nos textos.

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