Escatologia de Mateus – Análise teológica

Análise teológica

O capítulo 24 de Mateus é paralelo ao relato de Marcos capítulo 13. Este capítulo relata a parousia do Filho do Homem, que será precedida por sinais vindos do céu. Apesar de todas as indicações dadas por Jesus, a parousia será imprevisível e inesperada, por isso tantas advertências em forma de parábolas para que os discípulos estivessem atentos a este acontecimento, caso contrário estarão sujeitos ao julgamento que a parousia traz. (MARSHALL, 2007, p. 101).

Conforme dito acima os acontecimentos narrados neste capítulo são a resposta dos questionamentos feitos pelos discípulos a Jesus quando eles mostraram todo o esplendor do templo. Num primeiro momento, nos parece que os discípulos entenderam que a queda do templo e de Jerusalém estava intimamente associada com o fim do mundo, e, conforme o pensamento do judaísmo da época, estudado no item 3 deste material, este seria um julgamento sobre o velho Israel, onde deixariam de ser o povo exclusivo de Deus.

Jesus porém, conhecendo tais crenças, adverte os discípulos que, quando os eventos catastróficos começarem a acontecer não significa necessariamente o fim, mas apenas o princípio das dores de parto de uma nova era, que começaria a partir do fim desta era presente, marcado pela evangelização mundial, conforme explicita o v. 14. O período de perseguição faria com que o evangelho se propagasse de forma extraordinária, ao mesmo tempo que geraria uma forte oposição.

Comparando a perícope compreendida entre os versos 28 a 37 com o padrão geral da apocalíptica judaica tardia, pode haver pouca dúvida quanto ao significado que Mateus quis transmitir aos seus leitores, ou seja, as catástrofes que atingiriam Jerusalém estavam próximas, e o messiânico Filho do Homem a quem os discípulos haviam aprendido a identificar era o seu Mestre, que veio inaugurar o Reino escatológico de Deus (DEWICK, 1912, p. 174).

O capítulo 24 trata também sobre o aparecimento do abominável da desolação e a queda de Jerusalém, de onde seus habitantes deveriam fugir tão rápido quanto possível. Jesus menciona que os aspectos mais rigorosos da lei seriam um empecilho para a fuga. O exército romano causará um sofrimento tão grande como nunca houvera antes, mas este sofrimento, ainda assim, seria limitado pela misericórdia de Deus para com seus escolhidos.

A expressão “Abominável da desolação” era usada no Antigo Testamento para designar algo relacionado à idolatria, e podemos encontrá-la em Daniel 11:31 para referir-se à profanação do templo por Antíoco Epifânio em 167 a.C. Em Daniel 12:11 provavelmente o texto refere-se ao anticristo escatológico, da mesma forma que o uso no discurso do Monte das Oliveiras. Da mesma maneira que Antíoco Epifânio, o exército romano invadiria os recintos sagrados dos judeus, com seus símbolos pagãos. (LADD, 2003, p. 262).

A crença de que o Messias viria para resgatar seu povo da tribulação daria margem para alguns acreditarem que, naqueles dias, o Messias tivesse voltado. Porém Jesus diz que os escolhidos não seriam enganados pelos falsos messias que surgiriam naqueles dias. Entretanto os discípulos deveriam enfrentar este período de tribulação sozinhos.

Em contrapartida na parousia de Jesus não haveria nenhum tipo de sinal prévio, pois seria tão rápida e instantânea como um relâmpago. A expressão usada no v. 29 “Imediatamente após a tribulação daqueles dias“, nos dá a conotação de que os eventos mencionados em relação à parousia aconteceriam no mesmo período histórico daqueles dias. Mas sabemos que nenhum destes sinais aconteceram após a queda de Jerusalém no ano 70 d.C. Devemos ponderar também que, se a parousia tivesse acontecido aqueles dias haveria uma clara contradição do v. 27, onde se descreve a absoluta falta de sinais antecedendo a volta de Jesus. A explicação, do ponto de vista ortodoxo mais plausível, é que Jesus se utilizara de uma linguagem figurada para descrever os horrores do estava para acontecer, tal qual os profetas do Antigo Testamento.

Uma coisa é certa, Jesus falou tanto do evento histórico da queda de Jerusalém, quanto do evento escatológico de sua parousia. Esta é uma maneira de considerar o futuro escatológico expresso nas crises clíclicas da história (LADD, 2003, p. 263). Alguns acreditam que o discurso escatológico não se refere à parousia, assim como os sinais cataclísmicos não se aplicam aos eventos futuros. Entretanto todos estes sinais tem se cumprido em muitos estágios da história da igreja, porém se intensificarão no fim dos tempos. (GUTHRIE, 1981, p. 793)

Infere-se que os sinais descritos neste capítulo se referem à queda de Jerusalém e não à parousia, conforme os vs. 27 e 36. Por outro lado, enquanto as pessoas estiverem ocupadas em suas tarefas rotineiras, é que a parousia acontecerá, de acordo com a descrição dos vs. 38-41 (TASKER, 2008, pg. 177-180).

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