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A INSPIRAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento reivindica inspiração divina

Temos 2 fatores que comprovam a inspiração divina do Novo Testamento:

  • A promessa de Jesus de que o Espírito Santo guiaria os discípulos a toda verdade.
  • Cumprimento disso no ensino apostólico e nos escritos do Novo Testamento.

A promessa de Jesus a respeito da inspiração

Jesus nunca escreveu um livro. Porém confirmou a autoridade divina do Velho Testamento (Aula passada) e deu promessas sobre a autoridade e inspiração do Novo Testamento.

l A comissão dos doze – Quando Jesus enviou os doze, prometeu a direção do Espírito Santo (Mt. 10:19-20; Lc. 12:11-12). A proclamação que os discípulos fizessem de Jesus, viria do Espírito Santo.

l O envio dos setenta – Esta promessa não se limitava aos Doze. Jesus deu a cada um autoridade dele mesmo (Lc. 10:16)

l O sermão do Monte das Oliveiras – Jesus reafirmou a promessa de que o Espírito Santo falaria por meio dos seus discípulos.(Mc. 13:11)

l Os ensinos durante a última ceia – A promessa da orientação do Espírito Santo fica mais clara aqui (Jo. 14:26). Por isso Jesus não escreveu seus ensinos, pois o Espírito Santo faria com que os seus discípulos se lembrassem de tudo o que Jesus ensinara. E temos também promessa de que o Espírito os guiaria a toda verdade. (Jo. 16:13)

l A grande comissão – Quando Jesus enviou seus discípulos fez-lhes também a promessa de que teriam toda autoridade nos céus e na terra. (Mt. 28:19-20). A palavra dos discípulos seria a Palavra de Deus.

A promessa de Jesus reivindicada pelos discípulos

Os discípulos não se esqueceram da promessa de Cristo. Eles pediram que seus ensinos tivessem a autoridade de Deus para continuarem a realizar o que Jesus realizara.

l A afirmação de estarem dando prosseguimento ao ensino de Jesus – Lucas diz que apresentou um relato exato de tudo quanto Jesus fez e ensinou em  seu evangelho. Em Atos ele dá a entender que Jesus continuou a fazer por meio dos apóstolos. (At. 1:1; Lc. 1:3-4). A Igreja estava baseada no ensino dos apóstolos (At. 2:42). Até os ensinos de Paulo que vinham diretamente de Deus(Gl. 1:11-12), passava pela aprovação dos apóstolos (At. 15). A Igreja foi edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (Ef. 2:20; 3:5)

l Não existe ensino apostólico nos dias de hoje – O Novo testamento é o único registro autêntico de ensino apostólico que temos. O apóstolo deveria ser testemunha ocular do ministério e ressurreição de Jesus (At. 1:21-22), isso elimina a sucessão apostólica nos dias de hoje que não passaria do século I. O fato de não existir ensino apostólico nos dias de hoje limita todo ensino apostólico ao Novo testamento. Disto temos que apenas o Novo Testamento pode reivindicar para si a natureza de autoridade dos ensinos de Cristo.

l Comparação entre o Novo e o Velho Testamento – Temos, por enquanto, dois indícios da inspiração do Novo testamento:

  • A promessa de Cristo, de que o Espírito Santo inspiraria os apóstolos.
  • Comparação direta com o Velho Testamento.

Paulo reconhecia claramente a autoridade do Velho Testamento (2 Tm. 3:16) – chamou-o “Escrituras”.

Pedro classificou as cartas de Paulo como escrituras, ao lado das demais (2 Pe. 3:16)

Paulo menciona o evangelho de Lucas, chamando-o de Escritura. (1 Tm. 5:18 citando Lc. 10:7)

Hebreus menciona que Deus falara por meio dos profetas, e, neste últimos tempos tem falado pelo Filho(Hb 1:2).

Os livros apostólicos são colocados em igualdade com os livros proféticos. Os escritos apostólicos reivindicam para si a natureza de proféticos.

Em Ap. 22:18-19, João chama seu livro de profecia e se classifica entre os profetas.

Em Ef. 3:3-5 Paulo diz que os escritos proféticos do Novo Testamento revelam o mistério de Cristo predito nos escritos proféticos do Velho Testamento.

l Reivindicação direta de inspiração nos livros do Novo Testamento – No Novo testamento há numerosos indícios de sua autoridade divina. Podem ser implícitos e explícitos.

  • Os evangelhos apresentam-se como registros autorizados do cumprimentos das profecias do Velho Testamento (Mt. 1:22; 2:15-17; Mc. 1:2)
  • Lucas escreveu para que o leitor soubesse dos fatos que se cumpriram (Lc. 1:1-2)
  • João disse que seu testemunho é verdadeiro (Jo. 21:24)
  • Atos se apresenta como registro dos fatos que Jesus continuou a fazer e ensinar por meio dos apóstolos. (At. 1). Também se apresenta como cumprimento de profecia do Velho Testamento(At. 2:16). Como Paulo, citou o evangelho de Lucas como Escritura (1 Tm 5:18), torna-se claro que tanto o apóstolo quanto Lucas consideravam o relato da continuação do Evangelho um texto autorizado.
  • Todas as cartas paulinas reivindicam inspiração divina. Em Romanos, Paulo ainda comprova sua vocação divina para o apostolado(Rm. 1:1-3) e encerra dizendo que se trata de texto profético (Rm. 16:26)
  • Em 2 Co. Paulo defende seu apostolado de forma mais completa do que em qualquer outra carta. (2 Co 10-13)
  • Em Gálatas ele apresenta a mais forte defesa de suas credenciais ao falar sobre a revelação feita a ele (Gl. 1:12)
  • Em Efésios ele declara que tinha recebido a revelação de Deus e a tinha escrito. (Ef. 3:3)
  • Em Filipenses Paulo diz a todos seguirem o modelo apostólico de vida (Fl. 3:17; 4:9)
  • Em Colossenses Paulo diz que seu ofício de apóstolo foi dado diretamente por Deus (Cl. 1:25)
  • Em Tessalonicenses Paulo diz havia dito palavras de Deus e não de homens (1 Ts. 2:13)
  • Na outra carta aos Tessalonicenses, Paulo diz para não se misturar com quem não obedecer às palavras desta carta (2 Ts. 3:14)
  • Em 1ª Timóteo Paulo coloca seus escritos no mesmo nível que o Velho Testamento.(1 Tm. 4:11-13)
  • Em 2ª Timóteo temos o clássico  texto sobre a inspiração das Escrituras (2 Tm 3:16)
  • Hebreus 2:3-4 deixa claro que este livro baseia-se na autoridade de Deus dada aos apóstolos
  • Tiago escreve com autoridade apostólica (Tg. 1:1)
  • A 1ª Carta de Pedro afirma ser do “apóstolo de Jesus Cristo” (1 Pe. 1:1)
  • Em 2ª Pedro diz que o ensino dos apóstolos tem a mesma autoridade que os escritos dos profetas (2 Pe. 3:2)
  • A 1ª Carta de João é de alguém que viu, ouviu ,contemplou a Cristo e tocou em suas mãos (1 Jo. 1:1). Afirma que a comunidade apostólica é vinda de Deus.(1 Jo. 2:19). Segundo e terceira cartas são do mesmo apóstolo, portanto, tem a mesma autoridade.
  • O Apocalipse traz a declaração mais evidente que se trata da inspiração da parte de Deus. (Ap. 1:10-11) , além de conter uma advertência sobre a profanação destas palavras.

Apoio à reivindicação de inspiração do Novo Testamento

Apoio à reivindicação de inspiração dentro do Novo Testamento

A Igreja no século I não aceitou qualquer escrito como sendo inspirado.

  • Jesus advertiu a igreja sobre os falsos mestres que viriam em seu nome.
  • Paulo exortou os tessalonicenses para que não aceitassem determinados escritos como sendo seus. (2 Ts. 2:2)
  • João advertiu com bastante intensidade para não crer em qualquer coisa, mas que provassem se os espíritos vinham de Deus (1 Jo. 4:1)
  • Todo livro sem a assinatura apostólica deveria ser recusado. (2 Ts. 3:17)

l Leitura pública dos livros do Novo Testamento – Como era costume judaico ler as Escrituras aos sábados, a Igreja também adotou este costume no dia do Senhor. A leitura em público dessas cartas é prova da aceitação, deste o início pela Igreja do Novo Testamento, de sua autoridade divina.

  • Persistir em ler, ensinar e exortar (1 Tm. 4:13)
  • As cartas de Paulo deveriam ser lidas entre todos (Cl. 4:16)

l Circulação dos livros do Novo Testamento – O texto acima expõe outro fato importante: a troca de cartas entre as igrejas. É possível também que esta troca tenha dado inicio às primeiras cópias dos escritos do Novo Testamento. Que por serem cópias dos originais eram igualmente aceitos e tidos por inspirados.

l A coleção de livros do Novo Testamento – Os livros que circulavam entre as igrejas também eram possivelmente colecionados, conforme nos indica o apóstolo Pedro. (2 Pe. 3:15-16). Nos parece que ele próprio possuía uma coleção dos escritos de Paulo que ele põe em pé de igualdade com os escritos do Velho Testamento.

l Citação dos livros do Novo Testamento – Os livros do Velho Testamento foram escritos num período de tempo muito maior do que o período de tempo nos qual foram escritos os livros do Novo Testamento. Por isso há mais citações do Velho testamento do que ao Novo. Porém alguns autores sagrados citam outros, apoiando assim a autoridade divina daqueles escritos.

  • Judas cita com clareza 2 Pe. 3:2-3 em Jd. 18
  • Lucas faz referência à sua obra anterior (At. 1:1)
  • João faz alusão ao seu próprio evangelho. (1 Jo 1:1)
  • Paulo ainda menciona uma outra carta que ele havia escrito aos Coríntios (1 Co. 5:9)

Ainda que estes exemplos não nos forneçam citações formais, ajudam a ilustrar que os autores sagrados reconheciam os escritos uns dos outros como tendo autoridade divina.

Apoio à reivindicação de inspiração dentro da Igreja Primitiva

l Os primeiros pais da Igreja – Todos os autores do Novo testamento são mencionados pelos patriarcas da igreja primitiva que viveram até duas gerações após o Novo Testamento ser escrito, isto é, até por volta do ano de 150 d.C. Estes patriarcas da igreja representam o vínculo ininterrupto desde o tempo dos apóstolos, passando pela fundação da Igreja até os dias de hoje.

Os escritos mais antigos do Cristianismo fazem menção aos escritos apostólicos. Muitas destas citações são semelhantes às encontradas no Novo Testamento quando fazem citações relativas ao Velho Testamento.

  • Epístola de Barnabé (Autor desconhecido – 70 – 130 d.C.) – Cita o evangelho de Mateus como “Escritura”
  • Epístola aos Coríntios (Clemente de Roma – 95-97 d.C.) – chama os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) de Escrituras. Cita também passagens do Velho Testamento, cartas de Paulo e palavras de Jesus.
  • Inácio de Antioquia (110 d.C.) – Escreveu sete cartas (Epístola a Policarpo de Esmirna, Epístola aos Efésios, Epístola aos Esmirniotas, Epístola aos Filadélfos, Epístola aos Magnésios, Epístola aos Romanos, Epístola aos Tralianos) nas quais faz inúmeras citações ao Novo Testamento.
  • Policarpo (110-116 d.C.) – foi discípulo do apóstolo João, fez muitas citações dos Livros do Novo Testamento em sua Epístola aos Filipenses. Ele é um importante elo entre a Igreja recém nascida no século I com a Igreja no segundo século da era cristã.
  • O Pastor (Hermas 115 – 140 d.C.) Escrita em estilo de visões, como o Apocalipse, faz inúmeras referências ao Novo Testamento.
  • Didaquê (100-120 d.C.) – Importante obra do primeiro século quanto aos valores teológicos. A Didaquê cita diretamente ou faz menção indireta a diversos livros do novo testamento: sendo Mateus, Lucas, I Epístola aos Coríntios, Hebreus, I Epístola da Pedro, Atos dos Apóstolos, Romanos, Efésios, Carta aos Tessalonicenses e Apocalipse.
  • Epístola a Diogneto (150 d.C.) – faz muitas alusões ao Novo Testamento sem um título.

Com tudo isto vemos que os escritos dos pais da Igreja (Patrística) fizeram amplo uso do Novo Testamento, que à semelhança do Velho, era tido como inspirado por Deus.

l Pais da Igreja de época posterior – A partir da segunda metade do século II, ainda encontramos forte apoio para a reivindicação da autoridade divina do Novo Testamento.

  • Justino Mártir – Grande escritor e defensor cristão do século II, considerava os evangelhos (ele os chamava de Memórias dos Apóstolos, pois provavelmente ainda não conhecia a divisão em 4 evnagelhos distintos) como a voz de Deus.
  • Taciano, discipulo de Justino, cita Jo. 1:5 como Escritura.
  • Irineu, que havia conhecido Policarpo, afirma claramente a divisão em quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), fazendo numerosas citações desses evangelhos, únicos evangelhos reconhecidos como autênticos e lidos na Igreja.
  • Clemente de Alexandria  – classifica tanto o Velho como o Novo Testamento sendo inspirados por Deus, com a mesma autoridade divina.
  • Orígenes (185-254 d.C.), discípulo de Clemente de Alexandria – professor da escola em Alexandria, teólogo e escritor cristão com mais de 600 obras. Entre os seus numerosos comentários bíblicos devem ser realçados: “Comentário ao Evangelho de Mateus”; “Comentário ao Evangelho de João”.  Algumas de suas obras trazem escritas : “não ensinada pelos Apóstolos e não sustentada pela Escritura”. ( “Comentário ao Evangelho de Mateus” XIII, 1, 46–53).

Como vimos havia amplo apoio dos pensadores e teólogos da Igreja Primitiva do século II com relação à autoridade do Novo Testamento.

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