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NATUREZA DA INSPIRAÇÃO

 

Teorias a respeito da inspiração

Existem 3 correntes teológicas sobre a inspiração da Bíblia. Iremos examinar cada uma delas, porém nem todas estão de acordo com a própria Bíblia. São elas:

Ortodoxia: a Bíblia é a palavra de Deus.

Modernismo: a Bíblia contém a palavra de Deus.

Neo-ortodoxia: a Bíblia torna-se a palavra de Deus.

Ortodoxia

Foi por 18 séculos defendida por todos os teólogos.

Os pais da Igreja sempre ensinaram que a Bíblia é a palavra escrita de Deus e que foi inspirada verbalmente, ou seja, é o registro escrito por inspiração de Deus.

Esta linha de pensamento ainda se divide em duas correntes:

Ditado verbal – Deus mesmo inspirou cada palavra da Bíblia. Porém descarta-se a idéia de que o escritor tenha sido meramente um “secretário”. Ou seja, Deus ditou sua palavra a cada escritor, porém, manteve-se a personalidade de cada escritor individualmente. Desta maneira temos estilos diferentes na Bíblia, mas toda ela é obra da mesma inspiração Divina. Deus ditou sua palavra mediante a personalidade  do autor humano.

Conceitos inspirados – Deus deu a cada autor a inspiração dos conceitos que deveriam ser escritos e não palavra por palavra. Assim, desta forma, cada autor estaria livre para expressar em termos humanos, cada um em seu estilo, aquilo que Deus revelou a cada um.

Modernismo

Ensinam que algumas partes da Bíblia são inspiradas e outras não. Certas partes podem conter erros e são fruto apenas da expiência humana e contém lendas, mitos e fatos relativos à sua época de escrita. Inclusive falsas crenças relacionadas à ciência.

Só as verdades divinas incluídas nessa mistura de ignorância antiga e erro grosseiro, é que de fato, teriam sido inspiradas por Deus.

Conceito de iluminação – As partes inspiradas da Bíblia resultam de uma profunda percepção religiosa que Deus teria concedido a alguns homens piedosos. Daí então houve o registro desta percepção dada por Deus com conceitos humanos e errôneos da época.

Conceito de intuição – Na outra extremidade da visão modernista estão aqueles que atribuem apenas à intuição humana o registro bíblico. Ou seja, não há nenhum elemnto divino na composição da Bíblia. A Bíblia passa a ser somente um registro das lendas, fatos e folclore do povo judeu dentro de sua época. Não descartam o elevado padrão moral e algum cunho religioso, mas as percepções espirituais são puramente naturalistas, ou seja, aconteceram sem a intervenção divina.

Neo-ortodoxia

Surgiu no início do século, como uma tentativa dos homens a se voltarem novamente para a palavra como fonte de revelação de Deus aos homens. Afirmam que Deus fala aos homens mediante a Bíblia, porém, dizem que a Bíblia torna-se a palavra de Deus quando há um encontro pessoal entre o homem e Deus.

Assim como as outras duas correntes teológicas, esta também se divide em dois grupos principais:

Visão demitizante – Dizem que a Bíblia foi escrita em linguagem mitológica, em seu tempo, que hoje não se aplica mais. A tarefa do cristão moderno é demitizar, ou seja, tirar todas as lendas e mitos e descobrir o qual é o conhecimento real aplicável. Desta forma, a Bíblia torna-se a palavra Deus. A Bíblia, em si mesma, não é a revelação alguma. Apenas quando conseguimos extrair o verdadeiro significado é que ela se torna a palavra de Deus.

Encontro pessoal – Reconhecem que existem imperfeições nos relatos bíblicos, porém afirmam ser, a Bíblia, a fonte da revelação de Deus aos homens. Assim como um cão consegue reconhecer a voz de seu dono numa gravação imperfeita numa fita cassete, o homem consegue, mesmo com estas imperfeições, reconhecer a voz de Deus impressa nas Escrituras.  Assim, a Bíblia deixa de ser a revelação direta de Deus, passando a ser meramente um registro de Deus a homens de Deus do passado. Toda vez que o homem moderno lê a Bíblia, esta torna-se a palavra de Deus para nós. Em oposição aos ortodoxos, a Bíblia não é um registro inspirado de Deus, mas sim escritos imperfeitos, que constituem o testemunho singular de Deus.

O ensino da própria Bíblia sobre a inspiração

Na aula anterior vimos dois textos que nos ensinam sobre a inspiração da Bíblia.

  • 2 Tm 3:16
  • 2 Pe 1:21

A Bíblia declara ser um livro dotado de autoridade divina, resultante de um processo pelo qual homens movidos pelo Espírito Santo escreveram textos inspirados por Deus.

A inspiração é verbalA Bíblia toma para si mesma a qualidade de inspiração verbal. Texto clássico: 2 Tm 3:16.  Declara que as graphā (textos) são inspiradas.

  • “Moisés escreveu todas as palavras do Senhor…” (Ex. 24:4)
  • O Senhor ordenou a Isaías que escrevesse num livro a mensagem eterna de Deus. (Is. 30:8)
  • Davi confessou: “O Espírito do Senhor fala por mim, e a sua palavra está na minha boca.” (2Sm. 23:2)
  • Era a palavra do Senhor que chegava até aos profetas no Antigo Testamento.
  • Jeremias recebeu esta ordem: “…não te esqueças de nenhuma palavra…”(Jr. 26:2)
  • Jesus e os apóstolos corroboraram a inspiração verbal sempre citando a expressão: “…está escrito…” (Mt 4:4,7; Lc 24:27,44)
  • O apóstolo Paulo afirmou : “…falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina…” (1 Co. 2:13)
  • João nos adverte a não “tirar  quaisquer palavras do livro desta profecia.” (Ap. 22:19).
  • Jesus enfatizou até mesmo os menores sinais ortográficos de uma palavra hebraica:  “Em verdade vos digo que até que a terra e o céu passem, nem um jota ou til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mt 5:18)
  • Pedro afirmou a inspiração de seus escritos com os de outros apóstolos (2 Pedro 3:1,2,15,16).

Portanto, vemos que fica bem clara a idéia de que a Bíblia reinvidica para si toda autoridade verbal e escrita.

A inspiração é plena A Bíblia toma para si a qualidade de ser totalmente inspirada por Deus, de capa a capa.

  • Toda a escritura é divinamente inspirada…” (2 Tm. 3:16).
  • Nenhuma parte da Bíblia deixou de receber autoridade doutrinária. Paulo foi além ao declarar ainda: “…tudo o que outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito…” (Rm 15:4).

Jesus e todos os autores no NT deixaram bem claro que todos os escritos  do VT foram divinamente inspirados e citaram vários trechos, para reforçar a autoridade das Escrituras. Até os ensinos mais polêmicos como a criação de Adão e Eva, o dilúvio, Jonas e o grande peixe são mencionados por Jesus, deixando bem clara a autoridade deles.

A inspiração plena abrange também conceitos científicos:

  • A Terra é circular, memso quando os homens não acreditavam nisso. (Is 40:22).
  • Ensinou o ciclo hidrológico antes que pudesse ser estudado pela ciência (Sl. 104:5-13).

A inspiração atribui autoridadeA inspiração concede autoridade insdiscutível ao texto.

Disse Jesus: “… a Escritura não pode ser anulada…” (Jo 10:35).

Em diversas ocosiões Jesus recorreu à palavra de Deus escrita, que Ele considerava juiz nas questões de fé e de prática.

  • Para purificar o templo – Mc. 11:17
  • Pôr em cheque a tradição dos fariseus – Mt. 15:3-4
  • Para resolver divergências doutrinárias – Mt 22:29
  • Para confrontar Satanás – Mt 4:4,7,10

Encontramos total autoridade das Escrituras em outra declaração de Jesus: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei.” (Lc. 16:17)

Implicações da doutrina bíblica da inspiração

Existem algumas coisas, que embora não estando explicitamente apresentados na doutrina da inspiração, acham-se implícitos. Vamos verificar 3 deles:

A inspiração diz respeito igualmente ao VT e NT

A maioria das passagens citadas acima explicitamente se referem a textos do VT.  Com base em que podemos afirmar que o NT também faz parte das Escrituras?

  • O NT, assim como o VT, reinvida ser também Escritura Sagrada, e toda Escritura é divinamente inspirada.
  • 2 Tm 3:16 – A referência explícita aqui é ao VT. Porém sendo o NT parte das Escrituras, logo a referência está implícita ao NT.
  • Pedro diz em 2 Pe 3:16 que os escritos de Paulo fazem parte das Escrituras do VT.
  • Paulo cita em 1 Tm 5:18 o Evangelho de Lucas(10:7) como Escritura.

Como nem Paulo, nem Lucas fizeram parte do apostolado original, e seus escritos estão classificados como Escritura, por implicação direta podemos considerar o restante do NT, escrito pelos apóstolos, como sendo Escritura Sagrada.

Se todo NT é Escritura Sagrada, e toda Escritura é divinamente inspirada, temos então que o NT também é inspirado por Deus.

Na verdade, os primeiros cristãos consideravam os escritos dos apóstolos como tendo autoridade de Deus.

De acordo com 1 Pe 1:20-21, todas as mensagens escritas de natureza profética foram dadas ou inspiradas por Deus. Visto que o NT reinvidica a natureza de escrito profético, segue-se que reclama a mesma autoridade dos escritos proféticos do VT.

João, por exemplo, cita em Ap. 22:18 “…palavras da profecia deste livro.”

Paulo afirmou que a Igreja está fundamentada sobre o alicerce dos apóstolos e profetas do NT – Ef. 2:20; 3:5

A inspiração engloba uma variedade de fontes e gêneros literários

A Bíblia não foi ditada palavra por palavra no sentido comum que se atribui ao verbo ditar. Na verdade, há certos trechos que Deus deu diretamente ao homem, assim como os Dez mandamentos (Dt. 4:10). Os escritores da Bíblia eram compositores, não meros secretários.

Podemos identificar diversos estilos na Bíblia:

  • As poderosas expressões de Isaías e os tons de lamúria de Jeremias
  • Construção literária complexa de Hebreus e o estilo simples de João.
  • Linguagem técnica de Lucas com imagens pastorais de Tiago.

A Bíblia faz uso de documentos não-bíblicos, assim como:

  • Livro de Jasar (Js. 10:13; 2 Sm 1:18)
  • Poeta Epimenedes (At. 17:28)
  • Alguns provérbios de Salomão foram editados pelos homens de Ezequias (Pv. 25:1)
  • Lucas diz que usou muitas fontes escritas na composição de seu evangelho (Lc. 1:1-4)

A Bíblia contém muitos gêneros literários

  • Poesia (Jó, Salmos, Provérbios)
  • Os evangelhos contém muitas parábolas.
  • Jesus empregava a sátira (Mt. 19:24).
  • Paulo usou alegorias (Gl 4) e hipérboles (Cl. 1:23)

A Bíblia usa linguagem comum do dia-a-dia e não linguagem científica. Porém, isso não quer dizer que haja  negação da ciência, mas antes, usavam palavras simples para descrever eventos científicos.

Não é anticientífico afirmar que sol permaneceu parado (Js 10:12) do que dizer que o sol nasceu ou subiu (Js 1:15). Dizer que a rainha de Sabá veio dos confins da Terra ou que as pessoas no pentecostes vieram de todas as nações debaixo do céu, não é dizer coisas com exatidão científica. Os autores usaram formas comuns para escrever as situações.

A Bíblia foi escrita usando-se a personalidade de cada escritor e respeitando cada tempo histórico no qual foi escrito.

A inspiração pressupõe inerrância

A Bíblia, devido à sua inspiração divina é também inerrante. Deus não pode cometer erro, ou mentir. Por isso, sua Palavra é a verdade e tudo quanto está na Bíblia, sendo as próprias palavras de Deus, é isento de erro.

A Bíblia não é um livro de ciências, mas sempre que a Bíblia trata de algum assunto científico, o faz sem cometer erro.

A Bíblia não é um livro de História, porém, sempre que a História secular se cruza com a história bíblica, este referência é isenta de erros.

A Bíblia, apesar de ter sido escrita por autores humanos, é isenta de erros relativos à condição pecaminosa do homem. Não há distorção ou falsidade na Palavra por conta disso.

Se a Bíblia não estivesse correta quanto aos assuntos que podemos claramente comprovar, como poderíamos crer nela quando se tratasse dos assuntos espirituais, nos quais não podemos comprovar por nenhuma tese humana?

Como disse Jesus a Nicodemos: “Se vos falei de coisas terrrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” (Jo 3:12)

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