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Pecar ou não pecar?

A situação

Um erro bastante comum, ao examinarmos os textos bíblicos, é desconsiderarmos a data e o propósito para o qual cada livro ou carta da Bíblia foi escrita, e para irmos um pouco além, para quem foi escrita.

Muitos erros doutrinários, e por consequência, de comportamento cristão, poderiam ser evitados se não usássemos os textos bíblicos para nos auto-desculparmos dos pecados cometidos.

Um exemplo clássico é o uso da carta aos romanos, de Paulo, para provar a nós mesmos que somos reprováveis diante de Deus, e apenas a justiça divina aplicada em Jesus nos livra da justa ira de Deus. Mesmo Paulo escrevendo que não devemos viver no pecado, nós os que já morremos para ele, encontramos grande parcela da população cristã vivendo na “liberdade da graça“.

Como ninguém é de ferro, e todos continuam pecando, utiliza-se o texto da primeira carta do apóstolo João para remir-se de seus pecados, afinal ele (Deus) é fiel e justo para nos purificar, certo?

Logo, temos duas partes de um mesmo problema: romanos nos informa de nossa miserável condição pecaminosa, e João nos apresenta uma “solução rápida” a este problema.

Agora, como a história e propósito das cartas nos ajudam a viver uma vida cristã mais consciente?

Toda carta do NT foi escrita com um propósito situacional. Ou seja, todas as cartas foram escritas pois surgiram nas igrejas, e/ou regiões, problemas que estavam ameaçando de alguma maneira a unidade cristã no primeiro século.

Com isto em mente, poderemos tirar os ensinamentos corretos para a igreja de hoje.

Romanos

Tirando toda a parte do “tratado teológico” da carta aos romanos, Paulo escreve a estes irmãos por causa também da tensão que existia entre os judeus e gentios naquela igreja. Paulo não fundara esta igreja, e desejava muito conhecê-los, até mesmo para trocar experiências cristãs com aqueles irmãos, conforme vemos no início da carta.

Porém, devemos ter em mente que a localidade onde esta igreja estava inserida não era das mais éticas (pressuposto cristão) e familiares do mundo conhecido de então.

Sabendo da tensão entre os irmãos gentios e judeus, e também do baixo padrão moral da sociedade, Paulo exorta estes irmãos a não viverem uma vida de pecados.

Não era só por que viviam debaixo da graça, e não debaixo da lei, que eles deveriam viver na prática do pecado para que, de alguma forma, a graça de Deus se sobrepusesse ao pecado.

Paulo foi muito enfático quando disse que “DE FORMA NENHUMA” deveriam viver em pecado. E não apresentou nenhuma “fórmula mágica” de perdão de pecados. Nos disse sim, que nada poderia nos separar do amor de Cristo. Mas sua ênfase em não pecar persiste por toda a carta, que aliás é uma espécie de pré-requesito para tudo o que escreve depois.

I João

O contexto histórico da primeira carta de João é bem diferente.

Em primeiro lugar, era fim do século I. Todos estavam na espectativa do anti-cristo. As perseguições imperiais estavam a todo vapor, e os cristãos estavam com muito medo.

Para fechar com chave de ouro este período, onde a fé dos santos foi altamente provada, começaram a surgir inúmeras heresias a respeito de Jesus Cristo.

Pois bem, junte a isto o fato de que quase nenhuma igreja tinha o que conhecemos hoje por Bíblia, e por consequência, algumas doutrinas ainda não estavam fechadas ou definidas.

João escreve para um grupo de cristãos com medo, sendo atacados por todos os lados, interna e externamente. Logo, alguns começaram a questionar sua própria salvação, ou ainda, começaram questionar a perda de sua salvação.

O apóstolo do amor, dirigido por Deus, escreve a estes irmãos tranquilizando-os de que eles estavam salvos, se realmente cressem na Palavra da Vida, e por causa das heresias, ele escreve que não há ninguém que não peque, mas, se pecassem, Deus poderia purificá-los. Ou seja, um contexto totalmente diferente que temos da carta aos romanos.

Conclusão

Logo, de forma nenhuma podemos continuar na prática do pecado, já que somos pecadores e Deus nos perdoa, pois estamos na graça, e depois do pecado praticado, chegarmos diante de Deus com a cara lavada pedindo perdão, pois ele é fiel e justo.

Somos santos lutando contra o pecado, ou seja, o pecado em nossa vida é como um acidente, e ninguém vive se acidentando a todo minuto.

O que nos falta na igreja hoje é uma consciência da santidade de Deus, a mesma da qual nos fala o AT no pentateuco.

Sinto que falta, por vezes, um pouco de coragem da liderança eclesiástica de confrontar o pecado como a Bíblia ordena. Assim como Paulo fez com os romanos e coríntios, não se intimidou ou melindrou, mas nomeou os pecados e tratou de forma dura, como de fato deve ser tratado.

Não vejo na Bíblia nenhuma apologia ao “politicamente correto” no tratamento do pecado

Que o Senhor nos ajude a manter a santidade em mundo corrompido.

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