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Causas e Origens da Reforma

As causas e origens da Reforma Protestante

No inicío do século XVI a Igreja estava em descrédito na Europa, pois suas idéias e doutrinas já não eram mais vistas como a única resposta aos questionamentos de uma sociedade que se modernizava.

Mais do que um movimento sócio-político-cultural, a Reforma Protestante foi basicamente um movimento religioso. As pessoas queriam um pastor, mas o Papa estava demasiadamente ocupado com as questões políticas e econômicas. Além disso, a Igreja havia se transformado num grande lugar de comércio religioso, desde a venda das indulgências até as chamadas relíquias sagradas. As indulgências representavam o perdão dos pecados cometidos e os que ainda seriam cometidos, tanto por vivos como por mortos.

Por muitos séculos a Igreja teve, além da Bíblia, a Tradição como norma de conduta e fé. Acontece que esta tradição foi formada pela adição da cultura dos antigos povos conquistados pelo Império Romano na doutrina bíblica. Com o passar do tempo algumas pessoas começaram a questionar o valor e a autoridade desta Tradição para a Igreja. Então, no século XIV, surgiram os primeiros homens interessados em reformar a doutrina,o ensino e a prática da Igreja.

O primeiro desses homens foi John Wickliff (1328-1384), que, em uma época de trevas no ensino bíblico, se levanta contra as tradições e meras formalidades da Igreja, na Inglaterra. Wickliff pregou contra o status quo de monges, frades e padres que se benefiavam do dinheiro da Igreja para viver com regalia, às custas da pobreza da maioria da população européia. Também questionou o poder do Papa, dizendo que ele não tinha mais autoridade do qualquer outro homem.

Wickliff contava com o apoio e proteção de alguns nobres, pois estes esperavam se apropriar das terras da Igreja, além de não se agradarem do envio de dinheiro da Inglaterra para a inimiga França, pois nesta época o Papa estava em Avignon.

Ele deu ao povo a primeira bíblia em inglês, além de preparar o caminho para a reforma na Inglaterra. Após sua morte desenterraram seu corpo e queimaram seus ossos. Foi proclamado herege pela Igreja.

John Huss, boêmio, tomou conhecimento das idéias de Wickliff e passou a pregar estes ensinamentos. À medida que as pessoas ouviam e liam os ensinos de Huss passaram a perder o respeito pelo Papa, dizendo que ele e Roma buscavam seu próprio lucro. Isso atraiu a inimizade do Papa, e por ordem do Concílio de Constança (1415) morreu queimado na fogueira e suas cinzas jogadas no rio Reno.

Demoria ainda pouco mais de um século para que o monge agostiniano Martin Luther deflagrasse o movimento que ficou oficialmente conhecido como A Reforma Protestante.

Todos os reformadores estavam interessados no aspecto religioso da Reforma, ou seja, voltar ao ideal do Novo Testamento. Em 1517 o Papa precisava de muito dinheiro para construir a Basílica de São Pedro, e o arcebispo da Alemanha precisava quitar seu débito com o Papa, assim, houve um exagero ao pedir as indulgências. Após algumas tentativas de negociação infrutífera, Lutero, aproveitando-se do dia de todos os santos, comemorado em 1 de Novembro, quando haveria um grande volume de pessoas nas ruas, afixou na catedral de Wittenberg suas 95 teses no dia anterior: 31 de Outubro.

Apesar do aspecto religioso não há como negar as outras causas que conduziram à reforma.

Causa política: o conceito de um estado universal estava dando lugar às nações-estado. A igreja concentrava este poder único, que não era interessante para a nascente classe nacionalista. Ao apoiarem a Reforma estavam interessados em criarem uma igreja nacional como forma de controle da população local (Cairns, 2008, p. 248).

Causa econômica: A base econômica sempre fora a terra, pois tudo girava em torno da agricultura. Na idade média o comércio começou a florescer, e surgiram  os burgueses, enquanto os senhores feudais foram diminuindo sua esfera de atuação na sociedade(Cairns, 2008, p. 249).

Causa social: Por conta destas mudanças politicas e econômicas ficara mais fácil para alguém da classe baixa mudar para a classe média, que passou a ser formada por homens livres. Estes novos proprietários de pequenos negócios apoiaram a Reforma Protestante(Cairns, 2008, p. 249).

Causa cultural: Neste mesmo período na Europa, acontecia o renascimento cultural. O espírito crítico dos renascentistas foi usado pelos reformadores para voltar ao estudo dos originais bíblicos, enfraquecendo a Tradição da igreja.

É importante destacar que Lutero nunca pretendeu dividir a Igreja, mas sim fazê-la voltar aos princípios do Novo Testamento. Lutero mudou o eixo hermenêutico da Teologia colocando a Bíblia como única fonte de conduta e autoridade para o cristão.

A partir daí Lutero mudou completamente sua forma de conceber a justiça de Deus e a salvação, que era somente pela fé, sem nenhum mérito de obras ou ofertas humanas .

Outro ponto doutrinário que Lutero abordou foi em relação à experiência cristã. Apesar de não negar a experiência com Deus, Lutero deixou claro que toda experiência cristã deve estar embasada na Palavra, que é viva e eficaz. Nenhuma experiência cristã pessoal está acima dos ensinos da Palavra.

Lutero também propôs o sacerdócio universal de todos os crentes mas não lutou contra a hierarquia eclesiástica, porém se colocou contra a atitude de auto divinização que o papa adotou. Os ministros deveriam ser escolhidos pela igreja, e não serem auto impostos sobre o povo de Deus. Além disso seriam servos treinados e capacitados a ensinarem a Palavra de Deus ao povo.

A Igreja, até aquela época, havia tomado para si os direitos da salvação, condenação, justificação, perdão dos pecados dentre outras doutrinas, para tirar vantagem financeira por meio do misticismo que implantara em sua estrutura. Para Lutero estas questões pertenciam somente à soberania Deus e não cabia à Igreja a decisão sobre estes assuntos, pois tudo isso viria da justificação pela fé. Por isso Lutero reduziu os sacramentos da Igreja a apenas dois: o batismo e a ceia do Senhor.

Justamente estes dois sacramentos poriam Lutero em pé de guerra com outros protestantes que não concordaram com seus argumentos sobre eles.

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