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001 -Introdução ao Pentateuco

O termo Pentateuco se refere aos cinco primeiros livros da Bíblia cristã. Mas este nome provém da palavra grega pentateuchos, que significa cinco rolos. Este nome foi usado pelos judeus helenistas (não nascidos na Palestina) de Alexandria, pois os judeus de origem hebraica o conheciam com Torah, ou seja, “instrução em santidade”. Outros nomes para esta coleção são usados, tais como:

  • Lei
  • Livro da lei
  • Lei de Moisés

Os livros que compoem esta coleção foram os primeiros escritos a serem reconhecidos como canônicos, ou inspirados divinamente, pela comunidade hebraica. A igreja cristã, desde seu início, herdou esta tradição.

Na divisão tripla da Bíblia hebraica, Lei, Profetas e Escritos, o Pentateuco ganha destaque vindo sempre no início.


Tema e conteúdo em geral

Apesar de conhecermos, hoje, o pentateuco como cinco livros separados, ele deve ser compreendido como um único livro em cinco volumes. Para uma compreensão básica, o Pentateuco pode ser dividido em dois grande blocos:

  • Gênesis 1-11
  • Gênesis 12 – Deuteronômio 34

A primeira parte explica a criação de todas as coisas e a queda do homem. Podemos encontrar os seguintes temas neste bloco:

  • Origem das coisas
  • A criação pefeita
  • Propósito do homem
  • A origem do pecado
  • O julgamento do pecado (observado no dilúvio)
  • A misericórdia de Deus (observada ao poupar Noé e sua família)
  • Orgulho e autosuficiência do homem (observados na Torre de Babel)

A segunda parte se propõe a explicar a resposta ao dilema apresentado na primeira parte, e inclui os seguintes temas:

  • Chamada de Abraão
  • Eleição do povo de Israel
  • A Aliança com seu povo


Unidade do Pentateuco

O tema que unifica todas as partes do Pentateuco é a promessa feita a Abrão registrada em Gênesis 12:3.

A importância do Antigo Testamento para a igreja é observada pelo uso que o Novo Testamento faz dele. Paulo, especialmente, recorre muito ao Antigo Testamento principalmente o trecho compreendido entre a chamada de Abrão até o rei Davi. Isto pode ser observado em seu discurso registrado em Atos 13:17-41. Neste discurso, Paulo afirma que Cristo é o objetivo máximo e o cumprimento da redenção narrada no Antigo Testamento.

A unidade do Pentateuco é vista também nas narrativas dos livramentos de Deus, tendo como centro a confissão de fé mostrada no Êxodo, ponto máximo da redenção de Javé no Antigo Testamento.

A redenção dada no Êxodo serve de padrão dos atos de salvação de Javé no Antigo Testamento, conforme podemos observar nos seguintes textos: Amós 2:4-10; Jeremias 2:2-7; Salmos 77:13-19.

A narrativa do Pentateuco tem o seguinte esboço:

Javé escolheu o povo hebreu, representado por Abrão, sem qualquer mérito. Livrou este povo da escravidão do Egito de modo miraculoso e estabeleceu com este povo sua aliança. A este povo Javé deu terras e uma lei para que pudessem ter uma constituição.

Esta história é narrada de Gênesis a Deuteronômio, e os capítulos 12 a 50 de Gênesis apresentam a promessa dessas terras, o livramento que será dado imerecida e gratuitamente, apontando para a concretização do cumprimento da aliança e a posse dessas terras.


Gêneros literários do Pentateuco

O Pentateuco contém um amplo acervo de gêneros literários, reflete a natureza da arte hebraica em sua forma e conteúdo. Grande parte do conteúdo do Pentateuco é expresso por meio das narrativas.

Esta narrativas não são apenas registros históricos do povo hebreu, pois há  interpretações teológicas mescladas ao texto, tal como a interpretação dos sofrimentos de José em favor do seu povo, registrada em Gênesis 50:15-21.

As narrativas do Pentateuco também incluem linguagem antropomórfica, ou seja, dar características humanas para Deus (Deus se ira, se arrepende, tem braços, mãos, rosto, etc.), além de teofanias, ou a manifestação visível de Deus entre seu povo (sinais da natureza, tais como trovões; o “ANJO DO SENHOR”).

Outro gênero literário muito comum no Pentateuco é a poesia. Abaixo segue os principais tipos de poesia encontrados no Pentateuco:

  • Orações: Benção sacerdotal de Arão – Números 6:22-27
  • Canções de louvor: Cântico de Miriã –  Êxodo 15:21
  • Canção no estilo épico: Cântico de Moisés – Êxodo 15
  • Bençãos de família: Jacó abençoando seus filhos no leito de morte – Gênesis 49
  • Profecias: Balaão profetizando sobre Israel – Números 23 e 24

O terceiro tipo mais comum de estilo literário é o legal (lei). O conceito de lei, no mundo do Antigo Testamento, não era exclusivo do povo hebreu. Pelo contrário, pois é certo que povos distintos dos hebreus já tinham suas leis promulgadas a pelo menos 500 anos antes das leis de Moisés. O povo babilônico é um exemplo. A influência destes documentos na formação da Lei do Pentateuco é inegável.

O objetivo da lei para os hebreus era organizar e regulamentar a vida cotidiana do povo (cerimonial, moral e civil) tendo em vista a santidade requerida por Javé no relacionamento da aliança estabelecida.


Contexto Histórico do Pentateuco

 O Pentateuco cobre o período histórico da criação até a morte de Moisés, pouco antes do povo hebreu entrar na Terra Prometida.

 Sem entrar muito nos detalhes de data, pois há uma ampla variedade de linhas de pensamento, adotaremos o período de 2000 a.C. para as narrativas patriarcais e o período de 1500 a.C. para as narrativas do Êxodo. O período histórico comum é situado na Idade do Bronze Médio no Antigo Oriente Médio.

A civilização egípcia é a que mais predomina durante a história do Pentateuco.


O Pentateuco e a Igreja Cristã

A questão da interpretação ou mesmo o uso do Antigo Testamento pela Igreja é alvo de antigas controvérsias ao longo da história. Existiram desde aqueles que negaram completamente a utilidade do Pentateuco pela Igreja até aqueles que ainda tem em todas as leis e narrativas do Antigo Testamento um padrão doutrinário e comportamental para Igreja.

A dificil conciliação entre “lei” e “graça” originou vários métodos de interpretação do Pentateuco para a Igreja hoje. Abaixo estão algumas abordagens do Antigo Testamento para a Igreja:

– O Pentateuco como um manual de ética pessoal.

– O Pentateuco como “testemunha de Cristo”, ou seja, tudo tem um “significado oculto” que aponta para Cristo.

– O Pentateuco como parte integrante da história da salvação, onde Deus age como redentor da humanidade.

– O Pentateuco como parte das “Escrituras” para a Igreja, atuando como voz de autoridade com relação à crença e prática na comunidade religiosa.

Nesta abordagem não se olha o Pentateuco exclusivamente sob as lentes do Novo Testamento, mas atribuí-se um valor bíblico-teológico a estes escritos preservando a autoridade divina para a Igreja do Novo Testamento, conforme Paulo afirma em Romanos 15:5, que tudo o que foi escrito, foi escrito para nos ensinar.

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