Arquivo

Archive for the ‘Êxodo – Deus entre o povo da aliança’ Category

Êxodo – Deus entre o povo da aliança

A confirmação da aliança

A confirmação da aliança, feita pelos israelitas, traz a esta nova nação um relacionamento nacional de obediência (Êxodo 24:1-11). Para reforçar este conceito, é importante entendermos que Deus enxerga todo o povo como uma unidade, e não apenas indivíduos. Por isso que, ao longo da história de Israel, toda a nação sofrerá as consequências pelo erro de alguns.

O capítulo 24 de Êxodo nos aponta, pelo menos, três aspectos deste acordo:

  • Compromisso solene com os termos da aliança – Êxodo 24:1-4
  • O Acordo foi celebrado com sacrifícios – Êxodo 24:4-7
  • A aspersão do sangue sela a aliança – Êxodo 24:8

No processo de formação da nação de Israel as leis cerimoniais foram dadas a Moisés para regulamentar o culto e o serviço sacerdotal em Israel, de acordo com Êxodo capítulos 24 a 31.

O tabernáculo

Por ser uma nação teocrática, o próprio Deus redentor, Javé, habitaria no meio dela. Então, o plano para Javé manifestar sua presença no meio do povo escolhido exige a dedicação dos bens de Israel, para a construção de um tabernáculo divinamente inspirado, de acordo com Êxodo 25:1-9. Neste ponto, temos o cumprimento de mais uma das promessas feitas a Abraão: sairiam com grande riqueza da terra da servidão, conforme lemos em Gênesis 15:13-14.

Logo, a promessa de riquezas para os ex-escravos tinha um motivo já pré-definido por Javé. Como construiriam o tabernáculo se não tivessem o material adequado, de acordo com as especificações divinas? Então, quando Javé promete riquezas aos descendentes de Abraão não era apenas para seu uso pessoal e egoísta. Era para construirem o tabernáculo, símbolo da presença de Javé entre seu povo. Podemos aprender deste episódio que, quando Deus nos abençoa materialmente, não devemos ficar com tudo para nós mesmos, mas sim distribuir estas riquezas para o uso coletivo.

As instruções para a construção do tabernáculo revelam a glória e a santidade Javé.

O termo tabernáculo (משכן mishkan) é derivado de um verbo cujo significado é habitar. Logo, o tabernáculo representaria a presença de Javé habitando no meio do povo. Isso significa que, o grande criador do universo, o soberano de toda criação se dignou a habitar no meio de homens pecadores.

Não é à toa que João, em seu evangelho, no capítulo 1 verso 14, menciona que Jesus viveu entre nós. O termo original, em grego, que João usou foi  εσκηνωσεν (skenou), que signifca tabernaculou. Ou seja, João, como um bom israelita, sabia do significado do tabernáculo entre o povo escolhido de Javé, e o associou a Jesus – Emanuel, Deus conosco.

Os utensílios do tabernáculo

Cada utensílio tinha sua especificação e valor simbólico.

A arca da aliança era o principal utensílio, pois continham as tábuas que Javé dera ao povo. Serviam como testemunho da aliança feita com a nação de Israel.

A tampa da arca era chamada de kapporet, derivado do verbo hebraico kpr, que significa cobrir. Tinha o sentido de cobrir os pecados. Por isso encontramos no Salmo 32, verso 1 a alegria de Davi por saber, e experimentar o perdão de Deus, o cobrimento (perdão), e não o encobrimento dos pecados.

O candelabro (menorah) deveria estar com suas luzes constantemente acesas, pois a luz era associada à presença de Deus, talvez porque a luz foi a primeira criação de Javé por meio da palavra, segundo o livro de Gênesis. Novamente o apóstolo João faz uma comparação entre Jesus e a luz em seu evangelho, no capítulo 1 verso 4. Sendo Jesus a própria representação de Deus entre os homens, logo este era a luz dos homens, pois Deus estava, em carne, entre os homens.

As cortinas internas e externas sugeriam a separação e pureza exigidas pela presença de Deus naquele lugar.

A mesa dos pães era o lugar onde os israelitas se consagrariam a Javé, lembrando que ele era seu provedor. Mais uma vez, vemos no evangelho de João, a comparação que Jesus faz de si mesmo com o pão da vida. Jesus é o nosso provedor, dependemos somente dele.

Outros aspectos de santidade do tabernáculo

A construção e a decoração do tabernáculo manifestaram a glória e majestade do soberano criador e redentor de Israel que se “rebaixou” habitando entre os homens.

A cerimônia de ordenação de Arão e seus filhos ao sacerdócio apontam para a absoluta necessidade pureza no serviço de Javé, de acordo com Êxodo 29.

E finalmente, no capítulo 40 do livro de Êxodo, lemos sobre a glória de Javé enchendo o tabernáculo, confirmando sua presença na, recém nascida, nação de Israel. Mais um vez, João nos brinda com a comparação de Javé entre sua criação, dizendo que vimos a glória de Jesus cheio de graça e verdade, testemunhando a decisão de Deus de viver entre nós. Este é um fato que ultrapassa as linhas do tempo, e vai do Antigo ao Novo Testamento, de encontro às nossas vidas.

Conclusão

A aventura narrada no livro do Êxodo nos mostra como Javé faz de ex-escravos na terra do Egito, uma nação dirigida diretamente por ele.

Seu poder, glória e majestade são testemunhados em cada situação, além da sua longaminidade, demonstrada diante de um povo murmurador, que sempre coloca em risco a aliança feita entre Deus e seu povo.

%d blogueiros gostam disto: