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Êxodo – O nascimento de uma nação

 

A impressionante imanência do Deus transcendente

Chegamos ao capítulo 19 de Êxodo, 3 meses após a saída dos descendentes de Israel do Egito. Neste momento da história o povo está acampado na península do Sinai, e ficaria ali por quase 1 ano. Esta narrativa termina lá em Números capítulo 10, onde o povo continuaria sua longa e árdua caminhada por mais quase 40 anos pelo deserto.

Esta é uma das passagens mais importantes do Antigo Testamento, pois relata o encontro de Javé com seu o povo escolhido, o povo da aliança. Em nenhuma outra cultura há a descrição deste tipo de teofania, onde o deus adorado se une, se encontra com seu povo. Neste momento, único na história, a transcedência de Javé, soberano do universo, se funde à imanência, a presença visível no meio do povo.

Outro ponto que merece destaque é que, neste momento histórico, o aglomerado de ex-escravos está prestes a se tornar uma nação. A promessa feita a Abrão séculos antes está se cumprindo.

Os ex-escravos tornam-se uma nação por meio da aliança

No trecho de Êxodo 19:3-8, Moisés torna-se o intermediário da aliança que Javé oferece ao povo; aliança que foi prontamente aceita. Esta aceitação, o compromisso de obediência do povo, veio da confrontação com os feitos de Javé realizado entre o povo da aliança, conforme Êxodo 19:4.

Javé chama seu povo a um compromisso nacional, ou seja, um relacionamento especial com seu redentor. Um ponto importante que deve ser destacado é que a aliança não é individual, mas coletiva. Isto é importante para entendermos as narrativas onde lemos que todo povo é castigado por cauda do pecado e transgressão de apenas um indivíduo.

Javé apresenta as responsabilidades e privilégios do compromisso do povo com ele. Javé os trouxera à sua presença para confirmar seu plano de fazer os descendentes de Jacó uma nação para bênção de todos os povos da terra, de acordo com Êxodo 19:6, a mesma promessa que fizera a Abraão.

Algo que podemos aprender neste episódio é que é impossível pertencer ao povo de Deus sem um encontro real com ele. Podemos aprender também a verdadeira dinâmica do relacionamento com Deus: ele fala, e nós obedecemos. Nos dias atuais há uma ênfase exagerada em ir, ou pertencer a alguma comunidade, apenas para obter bençãos e benefícios de Deus.

O tipo da aliança e a função da lei

Esta aliança firmada entre Javé e os descendentes de Israel era condicional, ou seja, para o povo obter os benefícios da aliança seria necessário cumprir certas obrigações.

O que está em jogo aqui não é a condição de Israel como povo de Deus, mas sim as bênçãos e privilégios da aliança: ser seu tesouro pessoal e nação santa. Israel deveria desempenhar o papel de mediador entre Javé e os outros povos. Como nação de sacerdotes, o povo da aliança deveria ensinar às outras nações a lei de Javé. Em Malaquias 2:7 lemos sobre as atribuições de um sacerdote.

Javé queria que Israel servisse como meio de restauração entre as nações e ele mesmo.

A lei, dada no monte Sinai, indicaria ao povo que eles eram pecadores diante de um Deus santo e justo.

A manifestação de Javé, por meio dos raios e trovões, serviu para demonstrar a sua grandeza e santidade, e, que este povo deveria se aproximar dele com temor e reverência, outra coisa que tem sido esquecida nos dias de hoje.

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