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Gênesis – O chamado de Abrão – A posteridade

No post anterior, sobre o chamado de Abrão, mostramos o quadro sobre o renovo da promessa feito aos seus descendentes.

Diante deste quadro podemos observar alguns padrões:

1-) A promessa de dar terras

2-) A promessa de muitos descendentes

3-) A presença e proteção de Deus

4-) A promessa de abençoar famílias e povos

A promessa de dar terras se estende até Josué, quando houve a conquista de Canaã.

O que devemos considerar nesta narrativa é que Deus não fez isso para engrandecer um homem, ou um povo, mas sim para alcançar toda a terra; para beneficiar toda a criação.

Devemos ter em mente que Deus é o autor, e causa última, de tudo o que acontece no mundo. Deus cumpre suas promessas; não por causa do homem, mas por sua própria causa, pois Deus não pode negar-se a si mesmo. O foco nunca está no homem, mas sim em Deus.

Trazendo estes aspectos para nossos dias, podemos dizer que, do ponto de vista de Israel, as colinas de Golã pertencem a eles, afinal a promessa se mantém. A ocupação talvez não tenha conotação religiosa, mas devemos considerar isso como uma motivação.

Finalmente, na parte final de Gênesis, temos a história de José, o bisneto de Abraão.

A Bíblia Nova Versão Internacional (NVI) interpreta o termo “as gerações” usando a fórmula “Esta é a história da família de Jacó” para facilitar a introdução da história de José, que é em quem a história realmente termina. A palavra hebraica usada em Gn. 37:2 é toledhoth, que significa gerações, origens, e ocorre 10 vezes em Gênesis.

Agora que chegamos quase ao fim de Gênesis, olhando para o começo, podemos perceber que há um afunilamento na história, começando com a criação dos céus e terra, e terminando com a família de Jacó. Parece haver a intenção de mostrar todos os acontecimentos culminando para um homem e sua família.

Mais tarde, passa-se a evidenciar um alargamento: partindo-se de Jacó (ou Abrão), para formação de Israel, e posteriormente o mundo.

Podemos dividir a história de José em 4 partes:

1-) O conflito – cap. 37

a-) família disfuncional em alguns aspectos

b-) tentativa de José de se exaltar perante seus irmãos e pai (fazendo mal uso do dom que tinha)

2-) A ascensão de José caps. 39 a 41

3-) O reencontro com a família – caps. 42 – 45 – Aqui  temos a ponte da providencia de Deus

4-) A providência de Deus – caps. 46 – 50

Claro que, o uso que José faz de seu dom é dirigido por Deus, pois este foi o modo de Deus preparar a “ida” de José ao Egito, e posteriormente sua família, para cumprimento da promessa feita a Abrão anos antes.

Logo, podemos confirmar que Deus interfere, dirige e governa toda a história. Como foi dito antes: nada é por causa do próprio homem, mas sim pela fidelidade de Deus à sua própria palavra.

Existe ainda outra maneira de entender a história de José. É um modo mais literário:

1) Introdução – a cena (37:1-4)

2) A complicação 37:5 – 41:57

3) O clímax 42 – 45 – mudança de ênfase e geografia

4) O desfecho (46 – 50)

Nesta narrativa, muitas vezes se compara José com Cristo, dadas as muitas semelhanças entre os dois. Porém, devemos também considerar a hipótese de Judá ser também um tipo de Cristo, por ter se oferecido a ficar no lugar de seu irmão Benjamim, quando houve o incidente da taça furtada, armado pelo próprio José.

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Gênesis – O chamado de Abrão

No trecho entre os capítulos 3 a 11 de Gênesis, vemos as consequências do pecado em toda a humanidade, ninguém ficou ileso ou inocente.

A partir do capítulo 12 temos uma divisão na história apresentada na Bíblia. Este é um capítulo chave para compreendermos a Teologia do Antigo Testamento, e, por consequência, entender a Teologia Bíblica de forma geral.

Até aqui testemunhamos a maldição que a terra e a huminadade receberam por terem pecado; não porque Deus fosse um deus mau, mas sim um Deus justo e soberano de sua criação. O ser humano se afastara do propósito para o qual fora criado. E sofreu as dores de suas decisões, baseadas em seu “livre arbítrio”, que o levou ao pecado.

Mas, como Deus é Deus de amor e misericórdia, a partir deste capítulo, começamos a notar o uso constante da palavra bênção, que se torna, desta maneira, uma palavra chave neste contexto.

Até Gênesis capítulo 11 Deus trabalha com a humanidade de forma geral. A partir do capítulo 12 Deus trabalhará com um indivíduo, no caso Abrão.

É curioso notar que, mesmo trabalhando com um indivíduo, a benção se estende a toda humanidade. Logo, concluímos que, o método de Deus mudou, mas não o seu propósito, não sua finalidade para com a raça humana.

 

De toda terra para Abrão. De Abrão à toda terra.

De toda terra para Abrão. De Abrão à toda terra.

Abrão, sendo chamado por Deus, pode ter sido o primeiro de sua família a romper com as raízes politeístas. Temos uma pista disso em Josué 24:2.

Podemos analisar a promessa de Deus a Abrão dividindo-a em 7 partes, de acordo com os verbos que aparecem no texto:

1-      Fazer dele uma grande nação
2-      Abençoar Abrão – neste caso inclui também as bênçãos materiais
3-      Engrandecer o nome de Abrão
4-      Ser benção – Ele será abençoado para abençoar outros, e não reter as bênçãos para si próprio
5-      Abençoar os que o abençoarem
6-      Amaldiçoar os que o amaldiçoarem
7-      Abençoar todas as famílias da Terra.

Podemos interpretar o movimento missionário mundial hoje como fruto desta benção a Abrão.

A partir daí, as narrativas de Gênesis giram em torno do cumprimento da promessa, ou das ameaças ao cumprimento da promessa.

Podemos perceber que Gênesis tem a preocupação de mostrar como esta promessa foi transmitida de geração a geração.

O padrão das teofanias – aparecimento de Deus – à família, e descendentes de Abrão, se repete ao longo das narrativas em Gênesis.

Note, no quadro abaixo, a repetição (renovo) da promessa, feita por Deus, aos descendentes de Abrão:

Isaque – Gn. 26 Jacó Gn. 28
Deus seria com ele – v. 3 Deus seria com ele – v. 15
Herança das terras – v. 3 Herança das terras – v. 13
Todas as nações serão benditas por meio da sua descendência – v. 4 Todas as famílias da terra serão benditas por meio da sua descendência – v. 14
Seu pai Abraão havia obedecido a Deus – v. 5 Deus de seu pai, Isaque; e seu avô, Abraão v. 13
Era peregrino – v. 3 Era peregrino – v. 15
Descendência multiplicada – v. 4 Descendência multiplicada – v. 14
Confirmação da promessa – v.3 Confirmação da promessa – v.15
Deus apareceu a ele – v. 2 Deus apareceu a ele – v. 13

Deus cuidou desta familia por séculos, para manter suas promessas. Deus renovava sua presença aos homens.

Então, em Gênesis capítulo 12, na primeira parte, lemos sobre o estabelecimento da promessa; e, a partir da segunda parte do capítulo 12, os obstáculos à realização da promessa.

Hoje nós temos o quadro completo, e olhando para trás podemos ver como Deus cuidou desta família, como Deus preparou todos os eventos que culminariam na realização da promessa.

Isto não foi feito por nossa própria causa, mas sim, por causa da fidelidade de Deus à sua própria palavra, pois ele não pode negar-se a si mesmo.

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