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Êxodo – de volta para casa

Introdução aos motivos do Êxodo

Após a preparação de Moisés chegou a hora da promessa de Deus se cumprir. Mas este processo não seria assim tão simples.

Retomando o tema da preparação de Moisés, houve certos aspectos que agora podemos observar:

  • aspecto social: Foi integrado na sociedade egípcia e, sua preparação aconteceu dentro da corte egípcia e do seu próprio povo.
  • aspecto religioso: a teofania serviu para a execução desta preparação.

Não podemos considerar o êxodo do povo de Israel um evento isolado, mas precisamos olhar com atenção todo o processo histórico-teológico que levou ao êxodo. Este evento vai nos ensinar alguns aspectos importantes sobre o caráter e a essência de Deus.

Primeiramente vamos considerar os motivo do êxodo:

  • cumprimento da promessa de Deus de trazer os descendentes de Abraão de volta para Canaã
  • punir os egípcios e permitir a libertação do povo
  • mostrar a supremacia de Deus sobre os deuses do Egito.

O que os sinais significaram

Os sinais, geralmente chamados de pragas, foram um julgamento dos deuses do Egito executado por Deus. Veja Números 33:4b.

Merece destaque o fato que o final desta contenta foi predeterminado. Veja Êxodo 7:1-5. A frase “…saberão que eu sou Javé..” foi repetida várias vezes.

Estes sinais, como veremos não foram realizados apenas para convencer os egípcios, mas também os israelitas.

Natural X Sobrenatural

Existem muitos documentários, principalmente na TV paga, sobre o êxodo. Os estudiosos diferem entre si sobre os aspectos naturais e sobrenaturais dos sinais do êxodo. Será que isso é realmente um problema?

Vemos que durante a execução dos sinais no Egito Deus usa sua própria criação para mostrar a sua soberania, ou seja, esta criação esteve sujeita ao Criador de todas as coisas! Os egípcios, com toda sua ciência e mágica não puderam reverter esta situação. Mesmo que fosse um evento absolutamente natural isto não diminui ou exclui a parte sobrenatural do processo, conforme vemos abaixo:

  • a intensidade foi maior do que o normal – Ex. 9:18
  • a extensão foi muito grande em alguns casos – Ex. 8:17
  • em alguns casos, o lugar foi específico – Ex. 8:22-23
  • em alguns casos, a hora foi específica – Ex. 8:9-11

Como podemos observar, se estes eventos foram naturais ou sobrenaturais em sua essência, o fato é que a criação obedeceu seu Criador para a execução de seus planos de mostrar sua soberania aos egípcios e israelitas.

Estes sinais atingiram a vida do Egito de forma plena, ou seja, sua economia, sociedade e religião foram abalados.

O endurecimento do coração do faraó

Lendo o texto cuidadosamente vamos perceber algo interessante sobre o endurecimento do coração de faraó, motivo para acaloradas discussões calvinistas-arminianas.

Há um “empate” entre o endurecimento do coração do faraó por Deus, e o endurecimento do coração de faraó por ele mesmo. Neste caso podemos concluir que o faraó não foi levado contra sua vontade a fazer tudo o que fez, pois as duas situações cooperam para isso.

Comparação dos sinais com os deuses egípcios

Quadro comparativo dos sinais mandados por Deus e deuses egípcios atingidos.

Sinal deus(es)
1- O Nilo é transformado em sangue 7:14-25 Knum: guardião do Nilo.

O próprio Nilo, fonte da vida no Egito.

2- Rãs 8:1-15 Hect: deus da ressurreição – Tinha a forma de rã.
3- Piolhos 8:16-19 Set: deus do deserto (poeira?). Magos admitem intervenção divina.
4 – Moscas 8:20-32 Uatchit
5 – Peste nos rebanhos 9:1-7 Ápis: o deus-touro

Hathor: deusa-vaca

6 – Úlceras 9:8-12 Sekhmet: deus dos remédios
7 – Granizo 9:13-35 Nut: deusa do céu

Set: deus das tempestades

8 – Gafanhotos 10:1-20 Nut

Osíris: deus das colheitas e fertilidade

9 – Trevas 10:21-29 e Hórus: deuses do Sol
10 – Morte dos primogênitos 11:1 – 12:36 O próprio faraó, que era considerado um deus.

Ísis: deusa da cura.

Êxodo – Conhecendo o Deus da aliança

As manisfestações de Deus

Continuando nosso estudo no livro de Êxodo, ainda no episódio que Deus se revela a Moisés, nesta questão da manisfestação vísivel de Deus, temos dois aspectos:

  • Teofania – é a manisfestação visível de Deus acompanhada de sinais
  • Epifania – é a manisfestação visível de Deus sem sinais

Neste trecho, o Anjo do Senhor, é o próprio Deus, que apareceu a Moisés de forma audível e visível sem prejudicar sua santidade, preservando a vida de Moisés. Em diversos trechos da Bíblia somos informados sobre a intervenção do Anjo do Senhor, que pode significar um mensageiro, que é o que a palavra anjo significa, ou então é o próprio Deus manifesto. Nestes casos, somente o contexto poderá nos informar se a expressão “Anjo do Senhor” se refere a Deus propriamente ou a um enviado seu.

Durante a manifestação visível de Deus aos humanos, algumas providências devem ser tomadas por Deus para preservar a vida, do contrário haveria morte, pois não pode-se ver a Deus e continuar vivo. Em outros trechos da Bíblia percebemos o medo das pessoas que viam a Deus “face-a-face”, pois tinham consciência de seu pecado em contraste com a santidade absoluta de Deus.

A linguagem utilizada

Neste diálogo entre Deus e Moisés percebemos o uso de muitas expressões chamadas antropomórficas, ou seja, palavras que descrevem ações ou emoções humanas se referindo diretamente a Deus.

Como foi explicado anteriormente, o fato do uso de tais expressões na Bíblia serve para nós possamos entender o processo de intervenção, e interação, entre Deus e os homens.

Serve também para nos ensinar que Deus, apesar de soberano, todo-poderoso e transcendente, Deus também está presente e interage conosco, ou seja, Deus é também imanente.

Note os verbos que Deus usa na conversa com Moisés:

  • tenho ouvido
  • tenho visto
  • desci
  • para livrar

As desculpas de Moisés

A cada desculpa de Moisés, no capítulo 3, Deus revela algo sobre seu próprio caráter.

No verso 11 Moisés pergunta “Quem sou eu…?”, e a surpreendente resposta de Deus, no verso 14, revela sua identidade, seu nome pelo qual ficaria conhecido pelos séculos vindouros: Eu Sou o que Sou. YHWH (יהוה) – O Eterno. YAHWEH é uma formar arcaica do verbo ser, e pode significar aquele que foi, é, está sendo e será.

A partir deste verso 14, Deus começa a descrever suas credenciais divinas e sa atuação na história.

O verbo utilizado no verso 12, “Eu estarei” é o mesmo usado no verso 14 para “EU SOU” (היה hâyâh). Isso significa que não é promessa temporária ou parcial.

O quadro abaixo nos ajuda a entender a questãp das desculpas de Moisés e a revelação do caráter de Deus em suas respostas.

Desculpas de Moisés Respostas de Deus
Quem sou eu? – Preocupação com sua identidade. Serei contigo – Moisés não precisaria ser ninguém se Deus estivesse com ele
Quem o havia enviado? EU SOU – o Deus de seus antepassados
Não crerão que o Senhor me aparaceu. Sinais diversos para Moisés ver o poder e os milagres de Deus
Não falo bem. Não sou eloquente. Deus criou a boa do homem. Deus ensinaria o que Moisés deveria falar.
Envie outra pessoa. Ira de Deus contra Moisés. Envio de Arão junto com Moisés.

Aqui, neste episódio, Moisés, além de conhecer Deus historicamente, pôde conhecê-lo de forma pessoal, ou seja, Moisés nunca havia conhecido Deus desta maneira apresentada na narrativa em questão.

Êxodo – Liberdade à vista!

Informações teológicas gerais

Após o desfecho de Gênesis, sobre a ida de Jacó e sua descedência para o Egito, começamos nosso estudo no livro de Êxodo.

O livro inicia fazendo um vínculo com Gênesis, para explicar a razão do povo de Israel estar naquela terra. Centenas de anos de história são narrados pelo escritor nos versos 6 a 8 do primeiro capítulo.

Aqui vemos o início do cumprimento da promessa de Deus, reiterada por diversas vezes aos patriarcas, de multiplicar o povo de Israel, e a saída do Egito será o começo de torná-lo uma grande nação.

Em termos gerais, até o capítulo 15, há uma estrutura litúrgica que fala sobre a salvação provida por Deus a Israel, conforme vemos abaixo:

  • o motivo da salvação – capítulo 1
  • as preparações da salvação – capítulos 2 a 4
  • a execução da salvação – capítulos 5 a 14
  • a adoração – capítulo 15

Na questão da opressão do povo de Israel, lemos na narrativa que Deus lembrou-se de seu povo (Ex. 2:24). Este tipo de linguagem gera certa controvérsia, porém, devemos entender que a Bíblia se comunica conosco usando nossa linguagem, não a de Deus. Então, depreendemos deste texto, segundo o mesmo nos diz, que Deus se manteve fiel à promessa que fizera com Abraão centenas de anos atrás (Gn. 15:13-14).

A preparação de Moisés

Moisés foi o escolhido de Deus para viabilizar a libertação de seu povo do Egito.

É interessante notarmos que Moisés já havia tentado defender seu povo, quando viu um egípcio maltratando um hebreu. Porém, em sua própria força Moisés acabou matando este egípcio e teve que fugir. Vamos notar as ações frias e calculistas de Moisés ao matar, e enterrar o corpo do egípcio.

Deus, em sua soberania usa este acontecimento para forjar a vida de Moisés, que a partir daí seria preparado durante 40 anos no deserto para sua grande missão.

Moisés provavelmente já estaria com sua personalidade formada, sendo uma criança, quando foi para a corte do faraó, por isso se zangou ao ver em egípcío maltratando um hebreu.

O tempo passou, e Moisés havia desistido da idéia de libertar o povo da escravidão. E foi justamente neste contexto que Deus aparece a Moisés.

Toda a interação de Deus com Moisés serviu para que ele conhecesse o Deus que iria libertar o povo da opressão egípcia.

Não sabemos muito sobre a formação religiosa de Moisés, mas, Jetro, seu sogro, pode ter influenciado sua preparação religiosa, pois era sacerdote em Midiã.

O capítulo 3 do livro de Êxodo é fundamental para compreendermos os demais capítulos do livro, mas é igualmente importante na questão de conhecermos os atributos e o caráter de Deus.

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