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Gênesis – Difusão do pecado e da graça

Muitos, em sua leitura do AT, não conseguem enxergar a graça de Deus atuando na vida do homem.

Há sempre aquela dualidade histórico-literária de Lei X Graça.

Porém, se pararmos para analisar o contexto histórico, e suas consequências, creio que a graça de Deus se tornará evidente, mesmo no AT.

Tentei reproduzir no quadro abaixo uma das aulas que tive de AT na faculdade. Vejam se não é possível enxergar a graça de Deus, mesmo em um contexto onde a graça parece inexistir.

TEXTO PECADO CASTIGO GRAÇA
Jardim do Éden Gn. 3:1-24 1-Desobediência

2-Procurar satisfazer desejos egoistas

3-Desejar o que não pertence ao ser humano

1-Maldição da serpente

2-Dores e dominio

3-Maldição da terra

4-Vida dura, sem sentido expulsão do jardim

1-Deus providenciou roupas apesar do pecado

2-Proteção da árvore da vida

Caim e Abel Gn. 4:1-16 1-Atitude de irreverência e ódio

2-Homicídio

1-Maldição de caim(diferentemente do casal antes)

2-Lançado da familia, da terra fértil e da presença de Deus(uma vida sem rumo)

1-A vida de Caim foi preservada
Os filhos de Deus e as filhas dos homens Gn. 6:1-8 1-Casamentos mistos

2-Violência do homem contra a mulher

3-Estilo de vida desenfreado

1-A limitação da vida humana

2-A promessa de destruir a vida sobre a face da terra

1-“Tolerância” de 120 anos

2-Noé achou graça aos olhos de Deus

Torre de Babel Gn. 11:1-8 1-A soberba

2-Desobediencia à ordem de se multiplicar e encher a terra

3-Tentativa de alcançar o céu, e recuperar o que foi perdido no jardim

1-Confusão de línguas

2-A dispersão do povo

1-A chamada de Abrão

Caim e Abel

Algumas distinções precisam ser feitas. Notemos que mesmo no pecado, era possível ao homem se aproximar de Deus.

Depois da entrada do pecado, Abel e Caim ofereceram seus sacrifícios a Deus. Deus não havia ficado alheio ao homem.

Porém, Deus aceitou a oferta de Abel, mas não aceitou a oferta de Caim. Mas, qual foi a razão da rejeição de Deus à oferta de Caim?

Será que o motivo foi o tipo de oferta que Caim ofereceu?

Vamos ver o que o texto nos diz?

Gn. 4:3 Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR.

Gn. 4:4 Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta.

O texto nos diz que Deus aceitou a oferta de Abel, pois ele trouxe o melhor e as primícias. Caim levou sua oferta “algum tempo depois”, e não as primícias.

Ou seja, não foi o tipo de oferta, e sim a qualidade, o motivo da rejeição de Deus à oferta de Caim.

Não há como dizer o contrário, pois “as regras” dos sacríficios de animais seriam definidas séculos depois. Como não há nenhuma especificação de Deus para estas oferendas, não podemos presumir, com base em leis futuras, algo que aconteceu séculos antes, isso é um erro anacrônico!

Este fato gerou o ódio de Caim por seu irmão, e este ódio o levou a cometer o primeiro homicídio da história.

Depois do pecado consumado, Caim fez a mesma coisa que seus pais: não aceitou a responsabilidade de seus atos, e se esquivou!

Deus disse que se Caim tivesse feito o que é correto, ele estaria bem, e não carrancudo. Porém ele agira mal, e o pecado o estava aguardando, mas Caim deveria dominá-lo!

Desde o começo Adão e Eva também estiveram expostos ao domínio do pecado, e também caíram. Desde o início o homem escolheria o pecado, e Deus tinha ciência disso, tanto que Jesus havia morrido desde antes da fundação do mundo!

O livre arbítrio do homem sempre será inclinado ao pecado. Quando Deus, por meio do Espírito Santo, nos converte, temos condições de resistir; não em nossa própria força, mas na força do Espírito Santo.

Fora da presença e comunhão com Deus estaremos sempre sujeitos ao domínio do pecado.

O livre arbítrio do homem será sempre “escolher” o pecado.

Filhos de Deus

Com relação ao episódio narrado em Gn. 6 sobre os filhos de Deus e as filhas dos homens, temos algumas possibilidades. Este não é um assunto fechado, pois o texto não diz muita coisa. O que se diz a mais, sobre este evento, é especulação.

Em minha opinião isso não altera em absolutamente nada nossa fé. É apenas uma narrativa obscura,sem maiores detalhes,  só isso.

Os filhos de Deus podem ser anjos, o texto de  Jó 38:7 pode apoiar essa idéia.

Alguém poderia argumentar que os anjos não casam. Porém o texto bíblico nos diz, que Jesus, neste contexto(Mateus 22:30), nos informa sobre anjos no céu, e não na terra.

Uma outra possibilidade é que estes filhos de Deus poderiam ser os descendentes de Sete, outro filho de Adão e Eva.

Sobre o nascimento de Sete há uma coisa curiosa que o texto nos diz:  “Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete.”

O trecho que nos informa que seu filho era à sua imagem, pode nos transmitir a idéia de genética, traços em comum, algo bem natural. Porém como entender o trecho que diz “um filho à sua semelhança”?

Isso pode significar que havia herdado também o pecado, que se extendera a toda humanidade.

O Dilúvio

No trecho que Gênesis trata do dilúvio somos informados que a pecaminosidade do homem atingiu níveis alarmantes. É interessante notar que Deus se preocupa em tratar disso numa forma que podemos entender. A Bíblia diz que Deus se arrependeu de ter feito o homem. É claro que isso não pode ser entendido como o nosso arrependimento. Deus se entristecera pela condição humana, que sempre buscou, e ainda busca o pecado, ainda busca a distância de seu Criador!

Deus decide então exterminar toda a raça humana, mas ainda assim ele demonstra sua graça, permitindo que Noé e sua família sobrevivam ao dilúvio. Não devemos entender o dilúvio como a ira de um Deus mau e perverso, pois o homem se desviara do propósito para o qual havia sido criado. Deus teria todo direito, como criador de tudo, de destruir por completo sua criação; mas decide demonstrar sua graça e amor a nós, permitindo que Noé e sua família reconstruam a vida na Terra.

As narrativas do dilúvio, em outras culturas, reforçam a abrangência universal da primeira hecatombe registrada na história.

Em Gênesis capítulo 9 temos o relato da primeira aliança de Deus com o homem. Deus faz um pacto com Noé. Não temos uma aliança pré e outra pós dilúvio, pois o pós dilúvio é a promessa cumprida. Talvez seja a aliança mais abangente, pois envolve toda a terra. Não encontramos a palavra BERITH – aliança incondicional, unilateral – nos primeiros capítulos de Gênesis, logo podemos dizer que Deus não estabeleceu nenhuma aliança com o primeiro casal.

Uma coisa interessante é que a linguagem sobre a criação do homem e a do pós dilúvio são bastante  similares.

Lendo Gênesis capítulo 9, com bastante atenção, vemos que  nosso valor, como ser humano, vem do fato de que fomos formados à semelhança de Deus, e não do nosso valor “agregado” para a sociedade, não vem de algo que possamos oferecer de bom a Deus.

Depois do dilúvio, Noé, que era lavrador, plantou uvas, e delas fez vinho e se embriagou (ressaca do dilúvio?). Cam viu seu pai nu e foi contar a seus irmãos. Sem e Jafé o cobriram de sua vergonha, e Noé lança uma maldição sobre Canaã, filho de Cam. Isso de certa forma “justifica” a vitória dos Hebreus (de origem semita –> Sem) sobre os cananeus, descendentes de Canaã, séculos depois na conquista da Terra Prometida.

Gênesis – O pecado

Importância deste capítulo

Em nosso estudo do livro de Gênesis, é primordial passarmos pelo capítulo 3, pois ele explica a razão que temos de um Redentor para a humanidade.

É um dos grandes capítulos da Bíblia, pois aponta a real condição humana diante de Deus, que é Santo e Imutável.

Neste capítulo encontramos a presença de um dos mais misteriosos personagens da Bíblia: a serpente. A serpente era o mais astuto dos animais criados por Deus, e provavelmente estava desde o princípio no jardim, não era um invasor.

A dúvida da palavra de Deus

Neste episódio, a serpente coloca, na mente da mulher, dúvidas sobre a justiça de Deus. E quando surgem dúvidas a respeito da justiça de Deus, tendemos a imaginar Deus apenas como um policial celestial, disposto apenas a punir.

Na realidade, a pergunta da serpente à mulher, foi um teste, para verificar se a palavra de Deus era mesmo verdade.

No versículo 2 a mulher defendeu a ordem de Deus, confirmou; mas, no verso 3 ela acrescentou palavras à ordem de Deus.

A mulher quis por à prova a palavra de Deus. Este é o perigo de colocarmos palavras onde elas não existem! Especialmente quando se trata da Palavra de Deus. Isso me faz lembrar a “maldição” de Apocalipse.

Os  apelos para o ser humano

O texto nos diz sobre os apelos que fruto oferece à mulher:

• bom para se comer – Sedução pelos apetites físicos.

• agradável aos olhos – Sedução pela estética.

• desejável para dar entendimento – Sedução pelo intelecto – Aqui está o perigo de conseguir informação para escravizar, humilhar e controlar tudo. Um conhecimento além da sua capacidade e utilidade. O único ser que pode conhecer o bem e o mal, sem praticá-lo, é Deus!

Observem que estes apelos jamais mudaram. O ser humano, desde o princípio, nunca mudou suas inclinações pecaminosas e egoístas; longe do padrão que Deus planejara.

Todas as áreas da vida humana são atingidas! Não há área que esteja isenta.

Isso levanta alguns questionamentos importantes. Por exemplo, será que construir um templo luxuoso é o melhor para Deus??? Não será, neste caso, que a pelo da estética esteja disfarçado em “devoção a Deus“?  Será que é o melhor para Deus? Ou para nossos olhos?

Os relacionamentos

Por causa da entrada do pecado no Éden, todos os relacionamentos humanos se romperam.

Os três níveis de relacionamento do homem foram prejudicados.

1-) Com Deus – Tendo pecado, ficaram com medo, e se esconderam de Deus. Mas Deus, mesmo assim, chamou o homem, procurou o homem. Deus continuou por perto, conversando com o casal no estado de pecado. Podemos dizer que a natureza do relacionamento mudou, mas por parte do ser humano. Deus continuou interessado no ser humano. Quando o ser humano é confrontado com seu pecado, se esconde, e se exime de sua responsabilidade (Neste caso culpando a mulher).

2-) Homem-Mulher – Cada um deles jogou a culpa para frente, ninguém assumiu a responsabilidade dos fatos.

3-) Terra – O relacionamento com a terra mudou. O trabalho ficou pesado.

Consequências

Após a queda, cada um dos envolvidos sofreu as consequências de seus atos de rebelião contra o Criador. Cada um deles está descrito abaixo:

1-) Serpente

• humilhação

• maldição

• Em Gn. 3:15 temos a consequência mais importante.

Duas interpretações possíveis para a inimizade entre serpente e a mulher:

→ Messiânica – A palavra semente, no texto hebraico, é uma palavra masculina,  por isso “o descendente”.

→ Luta contínua contra a tentação. Somos descendentes da mulher, e o pecado é o descendente da serpente.

A palavra ferir, neste verso é a mesma. Às vezes temos a intenção de entender o segundo ferir como matar. Aqui temos a idéia de uma ferindo a outra mutuamente. Temos que ter cuidado para traduzir a mesma palavra com dois verbos diferentes.

De qualquer forma o futuro da serpente já está traçado, não há forma de ganhar, mas todos sairemos feridos desta batalha.

2-) Mulher

As consequências do pecado atingem a mulher em suas áreas de vida:

• dor no parto

• opressão pelo marido

• domínio pelo desejo

Duas coisas que deveriam produzir prazer e realização para a mulher vão agora produzir dor: filhos e lar.

3-) Homem – atinge o homem em suas áreas de vida

As consequências do pecado também atingem o homem em suas áreas de vida:

• o homem poderá produzir grandes coisas, mas terminará no pó.

• o trabalho não faz parte do castigo, pois já havia trabalho, apenas ficou muito árduo!

O pecado tirou a esperança de todos! Todos perderam, e vão sofrer!

Outras considerações

Apenas duas coisas foram amaldiçoadas:  a serpente e a terra.  O casal não foi amaldiçoado.

Com relação à morte dos animais, cuja pele Deus usou para fazer as vestimentas de Adão e Eva, o texto não diz que foi um sacrifício para expiação de pecados.  Devemos estar atentos ao que o texto diz. Mas o fato é que houve derramamento de sangue inocente em consequência do pecado. Mas aqui ainda não temos a indicação de se tratar de sacrifíco expiatório, como viria ser estipulado na lei.

Em Gn. 3:22 temos uma informação interessante. Como o homem agora tinha conhecimento do bem e do mal, Deus não separou o homem de dele, mas o separou de viver eternamente no pecado, pois a árvore era a árvore da vida, e se o homem a comesse ele viveria eternamente no pecado. Mais uma amostra da graça de Deus, logo após a inserção do pecado no mundo.

O texto também não diz que a imagem e semelhança de Deus, no homem, foi obscurecida ou alterada. O texto é bastante claro quanto às consequências que o pecado trouxe a cada um dos envolvidos. Devemos ter o cuidado de não apreender do texto mais do que ele diz.

Categorias:Gênesis - O pecado
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