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Para entender a história do povo de Israel

A história do povo de Israel, no Antigo Testamento, é vista da perspectiva da lealdade do povo hebreu à aliança com Javé.

De acordo com Deuteronômio capítulo 28 a obediência à aliança traria bençãos e prosperidade, enquanto que a apostasia traria maldições.

Devemos ter especial atenção a algumas expressões que se repetem nos livros históricos, tais como:

  • “Fizeram o que o Senhor reprova” – Livro dos Juízes
  • “Naqueles dias não havia rei em Israel e cada um fazia o que achava certo” – Livro dos Juízes
  • “Andaram nos caminhos de Jeroboão” – acusação contra os reis do Reino do Norte nos livros dos Reis

No decorrer das narrativas dos reis os seguintes padrões são adotados:

  • Todos os reis do Reino do Norte são reprovados por não terem abandonado o pecado de Jeroboão I, que instituiu o paganismo no Reino do Norte como forma de concorrer religiosamente com o Reino do Sul.
  • Os reis do reino do Sul que fizeram o que o Senhor aprova são comparados com seu ancestral Davi, com quem Javé havia feito uma aliança incondicional.

Observaremos que a quantidade de profetas enviados por Javé foi extensa, desde o profetismo extático, passando pelo profetismo da corte e até os profetas literários, que sugere que Javé dera ao povo da aliança ampla oportunidade de arrependimento.

Sua paciência e fidelidade à aliança com o povo foram comprovadas.

Na leitura dos livros históricos devemos:

  • ter como foco a aliança de Javé com o povo, não pessoas e acontecimentos
  • analisar causa e efeito históricos a partir do papel de Javé, não da ação das pessoas

Toda intervenção de Javé na história foi com vistas à execução do seu plano redentor.


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Os Macabeus

A revolta

Diante disso, houve resistência judaica. Devemos nos lembrar que após o retorno do cativeiro babilônio, os judeus passaram a abominar a idolatria, e passaram a ser extremamente fiéis às leis de Deus.

Acontece que em uma ocasião, um agente de Antíoco Epifânio tentou obrigar o sacerdote Matatias a oferecer um sacrifício pagão, como forma de mostrar exemplo para os demais judeus.

Como era de se esperar, Matatias se recusou a fazê-lo. Porém, outro judeu se apresentou para a realização do tal sacrifício. Matatias, demonstrando todo seu zelo à lei matou este judeu, o agente real, demoliu o altar de sacrifícios e fugiu para a região montanhosa com seus cinco filhos e outros que apoiavam sua conduta.

Isso aconteceu no ano de 167 a.C.  Este episódio ficou conhecido como a revolta dos macabeus. O nome “Macabeu” (ou Martelo) era o apelido de Judas, um dos filhos de Matatias.

Judas Macabeu liderou várias batalhas de sucesso contra os sírios. Essa revolta também foi responsável por uma guerra civil entre os judeus a favor da Grécia e contra a Grécia.

Antíoco Epifânio morreu (163 a.C.) e a revolta continuou, até que os judeus conseguiram expulsar os sírios e retomaram o templo e a Palestina.

Independência judia

Judas Macabeu foi morto em batalha (160 a.C.) e seus irmãos Jônatas e Simão o sucederam.

Tanto Jônatas quanto Simão conseguiram obter algumas vantagens para os judeus declarando-se interessados no Império Selêucida. Jônatas reconstruiu os muros e os edifícios de Jerusalém. Ele assumiu também o posto de sumo sacerdote.

Simão conseguiu o reconhecimento da independência judaica diante de Demétrio II, que era um dos interessados no Império Selêucida, e renovou um tratado com os romanos feito na época de Judas.

Após isso, Simão passou a ser reconhecido como sumo sacerdote, comandante e líder dos judeus, ou seja, ele representava oficialmente a liderança religiosa, militar e política dos judeus.

Depois disso, a história da família dos Macabeus registra o lamentável fato da disputa pelo poder. Os propósitos político-religiosos dividiram seus partidários em fariseus e essênios.  Os essênios se transformaram nos “monges” da época. Se retiraram para o deserto para tentar viver uma vida mais pura e íntegra diante de Deus. Foram esses mesmos essênios que produziram os “manuscritos do Mar Morto” que foram achados em 1947 nas cavernas de Cunrã. Há teorias que dizem que João Batista pertenceu a este grupo.

Os partidários aristocratas, de inclinações políticas, vieram a ser os saduceus.

Em 63 a.C. o general romano Pompeu invadiu e conquistou a Palestina. Portanto, durante todo o período do Novo Testamento a Palestina estará sob o domínio do Império Romano. A curta independência havia acabado.

Cultura, política e religião no período interbíblico

Meados do Antigo Testamento ao período grego

Durante o reinado de Davi e Salomão, o povo de Israel viveu seu apogeu histórico. Havia cooperação entre Israel e as nações vizinhas.

Após o reinado de Salomão o reino se dividiu entre:

Reino do Norte (Israel) – junção das 10 tribos do norte.

Reino do Sul (Judá) – Junção da tribo de Judá com Benjamim.

Em 722 a.C. a Assíria invade o reino do Norte, Israel, e acaba com tudo, nunca mais se ouve falar deste povo, visto que os assírios provacavam a miscigenação entre os povos conquistados. Desta forma, perdeu-se a identidade do povo que lá vivia, gerando outro povo que seria conhecido mais tarde por samaritanos.

Depois disso os babilônios tomam o controle das mãos dos assírios, e em 586 a.C. invadem a terra de Judá, e os levam cativos para a Babilônia. Esta cativeiro durou 70 anos.

Na sequência, os persas conquistam as terras que pertenciam aos babilônios, e Ciro, rei dos persas, permite que os judeus voltem para sua terra. Esta é a história narrada em Esdras e Neemias. Tem-se a reconstrução dos muros de Jerusalém.

Então, sob o domínio persa começa o período interbíblico, denominado algumas vezes de perído do silêncio, fazendo menção à não atividade profética durante 400 anos, até que surge João Batista.

Neste período, não relatado na Bíblia, Alexandre, comandante do exército grego, derrota os persas e conquista o Oriente Médio.

Período Helênico

Alexandre conquistou estes lugares e impôs a cultura grega aos povos conquistados. Desta forma, a língua grega passou a ser a língua oficial do comércio e diplomacia.

Neste período Alexandre fundou 70 cidades nos moldes do padrão grego. Ele e seus soldados tiveram famílias com mulheres orientais, misturando assim, as culturas grega e oriental.

Os sucessores de Alexandre

Com a morte de Alexandre em 323 a.C. o reino dele foi dividido em 4 partes entre seus generais. Duas dessas divisões são importantes no estudo do Novo Testamento:

Império Ptolomaico – sediado no Egito – capital: Alexandria.

Império Selêucida – sediado na Síria – capital: Antioquia.

Vários dos governantes do Império Selêucida foram chamdos de Antíoco, devido ao nome de sua capital.

Em 64 a.C., o general romano Pompeu torna a Síria parte do Império Romano, e desta forma acaba o Império Selêucida.

Cleópatra, morta em 30 a.C., foi o último membro da dinastia dos Ptolomeus.

A palestina, que ficava entre a Síria e o Egito, torna-se vítima destes dois impérios. Ambos queriam cobrar impostos de seus habitantes e tornar esta região parte de seu próprio império.

Os ptolomeus, a princípio, dominaram por 122 anos esta região (320 – 198 a.C.). Neste período os judeus desfrutaram boas condições de vida. De acordo com a antiga tradição, foi neste período que houve a tradução da Bíblia judaica do hebraico para o grego, tradução conhecida como Septuaginta.

Em 198 a.C. os selêucidas conseguiram conquistar a Palestina do Egito por meio de Antíoco III.

Entre os judeus surgem dois grupos liderados por:

Onias – a favor do Egito

Tobias –  a favor da Síria

Antíoco IV (ou Epifânio) substitui o sumo sacerdote Onias pelo irmão deste, Jasom, que pretendia transformar Jerusalém numa cidade grega. Houve até mesmo corridas de homens nus em ginásios, para afrontar os judeus mais piedosos.

Havia também a invocação de deuses pagãos.

Mais tarde Jasom foi trocado por Menelau, que provavelmente não pertencia à descendência de Arão. Com isto os judeus ficaram ressentidos, pois Menelau também havia prometido a Epifânio cobrar mais impostos dos judeus para ele.

Antíoco continuou tentando anexar o Egito ao seu império, porém sem sucesso, pois Roma não queria perder seu fornecedor de cereais. Antíoco, pressionado por Roma, abandonou o Egito com seus exércitos.

Neste meio tempo chegou aos ouvidos de Jasom qeu Antíoco havia morrido no Egito, que, desta forma, voltou para  Jerusalém, tomou o controle das mãos de Menelau, e assumiu a cidade para si.

Antíoco, já atormentado pela derrota diplomática que sofreu no Egito, interpretou este fato como uma revolta, e enviou seus soldados para punirem os rebeldes. Dois anos depois ele envia Apolônio, seu general, com um numeroso exército, para tornar ilegal o judaísmo e  estabelecer o paganismo à força.

Os soldados saquearam Jerusalém e incendiaram a cidade. Milhares de  judeus foram mortos, mulheres e crianças foram escravizadas. Tornou-se crime praticar a circunscisão, guardar o sábado, celebras as festas tradicionais ou possuir manuscritos do Antigo Testamento. Muitos desses manuscritos foram destruídos.

Antíoco Epifânio sacrificou um porco no altar e a prostituição passou a ser praticada dentro do templo.

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