Arquivo

Posts Tagged ‘pecado original’

A origem do pecado

Faz parte da natureza do homem, sempre diante de um problema, tentar descobrir sua causa. Com o pecado não é diferente, e sempre que o estudamos nós nos deparamos com sua origem. O Antigo Testamento percebe uma profunda desordem na natureza e na humanidade. Essa desordem, segundo Eichrodt, é a rebelião contra as ordens de Deus, que não são abstratas, mas é a aliança baseada nas leis para a existência do povo aqui e agora (EICHRODT, 2004, p. 842).

O ser humano, segundo Gênesis 6:5 não é essenciamente bom, como Deus o havia criado. Sua ações basicamente demonstram sua atitude de rebeldia e oposição à sua Palavra, e a natureza de forma geral está sob maldição por causa desta condição (Gn. 3:17-19). Para Eichrodt, o problema da origem do pecado fica em segundo plano quando aborda-se o pecado apenas sob o ponto de vista da lei, pois há a preocupação de definir a conduta moral a partir da existência de Israel como uma nação já estabelecida. A “pré-história” sacerdotal, narrada em Gênesis 1 a 11 quer mostrar que as antigas tradições já falavam sobre a degeneração progressiva que o pecado gera. Mas, em sua opinião, apenas o autor Javista mostra a história da humanidade como uma história de pecado e o seu caráter universal (EICHRODT, 2004, p. 843).

Deus havia criado tudo perfeito, e o homem, quando proclamou sua independência de Deus, o mundo foi distorcido e depravado. Em Gênesis 3 lemos que o mandamento de Deus foi pervertido para uma espécie de repressão, e, ao comerem do fruto proibido, pensaram que não estariam mais sujeitos à sua supremacia. Os relatos bíblicos, posteriores ao episódio fundante da ruptura do homem com Deus, não tentam explicar este acontecimento, pois, de acordo com Christoph Barth a rebelião contra o Criador sempre será inesperada, ilógica, indesculpável e injustificada.

Eugene Merril especula que haja uma ligação com o fato do homem ser feito à imagem de Deus, portanto este tem a capacidade moral de fazer escolhas, pois se não fosse assim o homem seria semelhante a um robô e faria apenas aquilo que fosse programado para fazer. Este ser não seria capaz de mostrar a perfeição com a qual Deus o criara. Logo, a árvore daria chance de provar que o homem poderia exercer sua capacidade de escolha, e uma escolha correta (MERRIL, 2009, p. 204). Mas, segundo Smith, o Antigo Testamento apenas aponta como o pecado entrou no mundo e como foi se alastrando geração após geração e diz que a porta foi a livre escolha de Adão e Eva pela sugestão da serpente.

O Antigo Testamento não chama a serpente de satanás, nem pretende explicar a origem do mal no mundo, mas a despeito disso, duas coisas ficam claras em Gênesis 3: o mal não vem de Deus, mas está sujeito a Deus. De acordo com Eichrodt, para o historiador Javista, era inegável a qualidade de vida antes e depois da Queda (EICHRODT, 2004, p. 844). E ainda conforme Merril diz que “o fato de o homem escolher erroneamente e arrastar a si mesmo e à raça humana à condição de caído revela apenas quão legítima era a escolha e quão trágicas foram suas consequências” (MERRIL, 2009, p. 205).

Anúncios

Gênesis – O pecado

Importância deste capítulo

Em nosso estudo do livro de Gênesis, é primordial passarmos pelo capítulo 3, pois ele explica a razão que temos de um Redentor para a humanidade.

É um dos grandes capítulos da Bíblia, pois aponta a real condição humana diante de Deus, que é Santo e Imutável.

Neste capítulo encontramos a presença de um dos mais misteriosos personagens da Bíblia: a serpente. A serpente era o mais astuto dos animais criados por Deus, e provavelmente estava desde o princípio no jardim, não era um invasor.

A dúvida da palavra de Deus

Neste episódio, a serpente coloca, na mente da mulher, dúvidas sobre a justiça de Deus. E quando surgem dúvidas a respeito da justiça de Deus, tendemos a imaginar Deus apenas como um policial celestial, disposto apenas a punir.

Na realidade, a pergunta da serpente à mulher, foi um teste, para verificar se a palavra de Deus era mesmo verdade.

No versículo 2 a mulher defendeu a ordem de Deus, confirmou; mas, no verso 3 ela acrescentou palavras à ordem de Deus.

A mulher quis por à prova a palavra de Deus. Este é o perigo de colocarmos palavras onde elas não existem! Especialmente quando se trata da Palavra de Deus. Isso me faz lembrar a “maldição” de Apocalipse.

Os  apelos para o ser humano

O texto nos diz sobre os apelos que fruto oferece à mulher:

• bom para se comer – Sedução pelos apetites físicos.

• agradável aos olhos – Sedução pela estética.

• desejável para dar entendimento – Sedução pelo intelecto – Aqui está o perigo de conseguir informação para escravizar, humilhar e controlar tudo. Um conhecimento além da sua capacidade e utilidade. O único ser que pode conhecer o bem e o mal, sem praticá-lo, é Deus!

Observem que estes apelos jamais mudaram. O ser humano, desde o princípio, nunca mudou suas inclinações pecaminosas e egoístas; longe do padrão que Deus planejara.

Todas as áreas da vida humana são atingidas! Não há área que esteja isenta.

Isso levanta alguns questionamentos importantes. Por exemplo, será que construir um templo luxuoso é o melhor para Deus??? Não será, neste caso, que a pelo da estética esteja disfarçado em “devoção a Deus“?  Será que é o melhor para Deus? Ou para nossos olhos?

Os relacionamentos

Por causa da entrada do pecado no Éden, todos os relacionamentos humanos se romperam.

Os três níveis de relacionamento do homem foram prejudicados.

1-) Com Deus – Tendo pecado, ficaram com medo, e se esconderam de Deus. Mas Deus, mesmo assim, chamou o homem, procurou o homem. Deus continuou por perto, conversando com o casal no estado de pecado. Podemos dizer que a natureza do relacionamento mudou, mas por parte do ser humano. Deus continuou interessado no ser humano. Quando o ser humano é confrontado com seu pecado, se esconde, e se exime de sua responsabilidade (Neste caso culpando a mulher).

2-) Homem-Mulher – Cada um deles jogou a culpa para frente, ninguém assumiu a responsabilidade dos fatos.

3-) Terra – O relacionamento com a terra mudou. O trabalho ficou pesado.

Consequências

Após a queda, cada um dos envolvidos sofreu as consequências de seus atos de rebelião contra o Criador. Cada um deles está descrito abaixo:

1-) Serpente

• humilhação

• maldição

• Em Gn. 3:15 temos a consequência mais importante.

Duas interpretações possíveis para a inimizade entre serpente e a mulher:

→ Messiânica – A palavra semente, no texto hebraico, é uma palavra masculina,  por isso “o descendente”.

→ Luta contínua contra a tentação. Somos descendentes da mulher, e o pecado é o descendente da serpente.

A palavra ferir, neste verso é a mesma. Às vezes temos a intenção de entender o segundo ferir como matar. Aqui temos a idéia de uma ferindo a outra mutuamente. Temos que ter cuidado para traduzir a mesma palavra com dois verbos diferentes.

De qualquer forma o futuro da serpente já está traçado, não há forma de ganhar, mas todos sairemos feridos desta batalha.

2-) Mulher

As consequências do pecado atingem a mulher em suas áreas de vida:

• dor no parto

• opressão pelo marido

• domínio pelo desejo

Duas coisas que deveriam produzir prazer e realização para a mulher vão agora produzir dor: filhos e lar.

3-) Homem – atinge o homem em suas áreas de vida

As consequências do pecado também atingem o homem em suas áreas de vida:

• o homem poderá produzir grandes coisas, mas terminará no pó.

• o trabalho não faz parte do castigo, pois já havia trabalho, apenas ficou muito árduo!

O pecado tirou a esperança de todos! Todos perderam, e vão sofrer!

Outras considerações

Apenas duas coisas foram amaldiçoadas:  a serpente e a terra.  O casal não foi amaldiçoado.

Com relação à morte dos animais, cuja pele Deus usou para fazer as vestimentas de Adão e Eva, o texto não diz que foi um sacrifício para expiação de pecados.  Devemos estar atentos ao que o texto diz. Mas o fato é que houve derramamento de sangue inocente em consequência do pecado. Mas aqui ainda não temos a indicação de se tratar de sacrifíco expiatório, como viria ser estipulado na lei.

Em Gn. 3:22 temos uma informação interessante. Como o homem agora tinha conhecimento do bem e do mal, Deus não separou o homem de dele, mas o separou de viver eternamente no pecado, pois a árvore era a árvore da vida, e se o homem a comesse ele viveria eternamente no pecado. Mais uma amostra da graça de Deus, logo após a inserção do pecado no mundo.

O texto também não diz que a imagem e semelhança de Deus, no homem, foi obscurecida ou alterada. O texto é bastante claro quanto às consequências que o pecado trouxe a cada um dos envolvidos. Devemos ter o cuidado de não apreender do texto mais do que ele diz.

Categorias:Gênesis - O pecado
%d blogueiros gostam disto: