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O Pentateuco

Significa 5 rolos, ou livros, e esta denominação pode ter sido popularizada pelos judeus helenistas de Alexandria, no século I d.C. Os judeus hebreus se referiam a esta parte como Torah, que significa instrução de Deus.

Quando falamos sobre o Pentateuco, temos o costume de automaticamente pensar em um rígido padrão de regras que o povo devia obedecer. Claro que este pensamento não está errado, por;em, devemos pensar no Pentateuco também como a Instrução Divina ao povo de Deus, ou ainda, a orientação de Deus a seu povo.

Foi a primeira literatura inspirada e reconhecidamente canônica¹ da Bíblia.

Em Josué 8:31 temos a confirmação de que Moisés foi o autor destes livros e em Lucas 24:44 temos a confirmação por parte do próprio Jesus, citado pelo evangelista.

Porém, no século XVIII, influenciados pelas idéias do Iluminismo e da Renascença, a ciencia da crítica textual passou a ser aplicada à Bíblia. Este propósito nada tinha de teológico, santo ou espiritual, era puramente científico e literário.

Uma das controvérsias levantadas foi a questão dos nomes de Deus no Pentateuco: Yahweh(Javé) e Elohim.

Alguns críticos dizem que o Pentateuco foi a junção de vários textos já existentes, cada um chamando Deus de Javé ou Elohim. Daí surgiu a teoria  dos documentos JEDP, explicado abaixo:

J – Javista – Documentos que descrevem Deus como Javé (YAHWEH).
E – Eloístas – Documentos que descrevem Deus como Elohim.
D – Documentos relacionados unicamente a Deuteronômio, por causa de seu estilo literário.
P – Sacerdotal (Priest em inglês) – Escritos por sacerdotes no exílio na babilônia.

Logo, para estes críticos, o Pentateuco foi a junção de todos estes documentos em um único volume, negando dessa forma, a autoria mosaica.

Uma das explicações plausíveis, é que Moisés tenha escrito as duas tradições (YAHWEH e ELOHIM), para que nada fosse perdido.

Também não podemos desconsiderar a influência de várias mãos na transmissão do texto. Não há nada de errado ou herético nisso, pois isto não anula a inspiração divina, que não depende de autores humanos; mas temos de reconhecer que houve a intervenção humana na transmissão destes textos.

O Pentateuco como literatura

O Pentateuco como literatura tem duas naturezas:

Histórica
Teológica

É composto de três gêneros literários principais:

Poesias
Leis
Narrativas – é o estilo predominante, com mais de 40 por cento do total.

Narrativas

Uma narrativa pode ser definida como:

Uma história prosaica (que usa prosa)
Relato de eventos em ordem cronológica
Tem personagens que interagem
Tem um propósito específico
Tem um único significado

A narrativa preserva memórias antigas para as novas gerações. Faz muito mais que contar a história de forma cronológica, mas diz como Deus salvou o povo, ou mostra um acontecimento do passado refletindo no futuro:

Exemplo: a narrativa de Abraão e Hagar informa como se originaram os ismaelitas.

Temos, no Pentateuco, diversos estilos de narrativas:

Cômico – evolui do problema para a solução, com um final feliz – Narrativa de José
Heróico – baseado nas lutas e triunfos do protagonista – Narrativa de Abraão e Sara
Épico – história heróica em larga escala, com interesses nacionalistas – Narrativa do Êxodo do Egito
Trágico – descreve mudança de sorte, passando da prosperidade para a catástrofe – Narrativa da queda do homem

Poesias
Nem sempre a Bíblia indica as formas poeticas, pois a poesia hebraica é caracterizada pela forma  e estrutura, e não pela rima.

Um exemplo disso são as palavras de Adão a Eva:

Esta é ossos dos meus ossos e…

O cântico de Moisés em Êxodo 15

Leis

A lei implica em instrução, que em alguns casos equivale à vontade: “tua lei está no meu coração”.

Há duas formas de lei:

Apodíticas ou categóricas : “Não matarás”.
Casuísticas ou condicionais: “Se comprar um escravo…”

Temos no Pentateuco 4 códigos principais:

O decálogo – 10 mandamentos, que é a base de todas as demais leis.
Livro da aliança – Êxodo 21 – 23
Código de santidade – Levítico 17 – 26
Código deuteronomista – releitura da lei para uma nova situação histórica

¹ Veja maiores detalhes na seção “Bibliologia” nas categorias ao lado.

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O CARÁTER DA BÍBLIA

De onde veio a Bíblia?

Como podemos ter certeza de que só os livros inspirados foram incluídos na Bíblia?

A Bíblia contém erros?

Quais são as cópias mais antigas da Bíblia de que dispomos?

O que constitui o caráter inusitado da Bíblia?

Como foi foi que ela se originou?

Quando e como assumiu sua forma atual?

O que significa inspiração da Bíblia?

Estrutura da Bíblia

A palavra Bíblia(Livro) passou a fazer parte da língua moderna por meio do francês, passando primeiro pelo latim biblia, com origem no grego biblos. Originalmente era o nome que se dava à casca do papiro do século XI a.C. Por volta do século II d.C. , os cristãos começaram a usar a palavra para designar seus escritos sagrados.

Os dois testamentos da Bíblia

Compõe-se de duas partes principais:

  • Velho Testamento
  • Novo Testamento

Velho Testamento: escrito pela comunidade judaica e preservado por mais de mil anos antes de Jesus.

Novo Testamento: escrito pelos discípulos de Jesus ao longo do século I d.C.

Testamento: melhor traduzido por aliança. Veio de vocábulos gregos e hebraicos que significam “pacto” ou “acordo” celebrado entre duas partes.

As seções da Bíblia

Divide-se normalmente em 8 partes: quatro no Velho Testamento e quatro no Novo Testamento.

A divisão em quatro seções do Antigo Testamento está baseada em sua tradução para o grego, tambem conhecida como Septuaginta(LXX). A Bíblia hebraica não segue essa divisão tópica dos livros. Na Bíblia hebraica emprega-se uma divisão em 3 partes.

A Lei (Torá) Os profetas(Nebhiim) Os escritos(Kethubhim)
GênesisÊxodo

Levítico

Números

Deuteronômio

A. Profetas anterioresJosué

Juízes

1 e 2 Samuel

1 e 2 Reis.

B. Profetas posteriores

Isaías,

Jeremias

Ezequiel

Os Doze Profetas Menores

A. Livros poéticosSalmos

Provérbios

B. Cinco Rolos(Megilloth)

Ester

Cantares de Salomão

Rute

Lamentações

Eclesiastes

C. Livros Históricos

Daniel

Esdras

Neemias

1 e 2 Crônicas

A junção das primeiras letras de cada uma destas divisões (T, N e K) formam o nome da bíblia hebraica completa: Tanak.

O Novo testamento faz uma alusão a esta divisão em 3 partes da Bíblia Hebraica, quando Jesus disse: “…era necessário que se cumprimisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lc 24:44).

Mesmo a Bíblia Hebraica, ainda hoje manter esta divisão em 3 partes, a Vulgata Latina, de Jerônimo, e as Bíblias posteriores a esta seguiriam o formato tópico das quatro partes que hoje conhecemos. Se combinarmos essa divisão com outra, também largamente aceita, de quatro partes do Novo testamento, a Bíblia pode ser dividida na estrutura geral e cristocêntrica apresentada no quadro abaixo:

Antigo Testamento LeiHistória

Poesia

Profecia

Fundamento da chegada de CristoPreparação para chegada de Cristo

Anelo pela chegada de Cristo

Certeza da chegada de Cristo

Novo Testamento EvangelhosAtos

Epístolas

Apocalipse

Manifestação de CristoPropagação de Cristo

Interpretação e aplicação de Cristo

Consumação em Cristo

Capítulos e versículos da Bíblia

Não existiam nos originais.

Foram feitas para facilitar a tarefa de citar as escrituras.

Stephen Langton, professor da Universidade de Paris, e mais tarde, arcebispo da Cantuária (Reino Unido), dividiu a Bíblia em capítulos em 1227.

Robert Stephanus, impressor parisiense, acrescentou a divisão em versículos em 1551, na Reforma Protestante.

A inspiração da Bíblia

A característica mais importante da Bíblia não é sua estrutura ou forma, mas o fato de ter sido inspirada por Deus.

Quando falamos de inspiração, não estamos tratando de inspiração poética, mas da autoridade Divina.

A Bíblia é um livro singular, foi literalmente “soprada por Deus”.

Definição de inspiração

Embora a palavra inspiração seja usada apenas uma vez no NT (2 Tm 3:16) e outra no VT (Jó 32:8), o processo pelo qual Deus transmite sua mensagem autorizada ao homem é apresentado de muitas maneiras.

Descrição bíblica de inspiração

2 Timóteo 3:16 – Literalmente “soprado por Deus” (do grego theopneustos), por isso dotado da autoridade divina.

1 Coríntios 2:13 – Quaisquer palavras ensinadas pelo Espírito Santo são palavras divinamente inspiradas.

2 Pedro 1:21 – As mensagens anunciadas não eram fruto da imaginação dos homens, mas foram “sopradas pelo Espírito”.

1 Pedro 1:11 – Deus é o fato de eles sondarem seus próprios escritos.

Combinando as passagens que nos ensinam sobre a inspiração divina, podemos concluir que:

Homens, movidos pelo Espírito, escreveram palavras sopradas por Deus, as quais são a fonte de autoridade para a fé e para a prática cristã.

Definição teológica da inspiração

Na única vez que a palavra inspiração é usada, ela se aplica aos escritos e não aos escritores. Ou seja, o produto final – Bíblia é inspirada, mas não seus escritores. Todavia, seus autores foram movidos pelo Espírito Santo a escrever as palavras que o próprio Deus queria que escrevessem. Por exemplo: Paulo escreveu mais uma carta à Igreja de Corinto, porém a mesma não está em nossa Bíblia atual.

a) Por Deus:  At 1:16; 2Tm 3:16-17; Hb 10:15-17; 2Pd 1:20-21.

b) Verbal: (= palavra por palavra, e não apenas os pensamentos principais): Mt 4:4-5; 5:17-18; 1Co 2:13

c) Plenária: (= toda ela, de capa a capa, sobre todo e qualquer assunto): 2Tm 3:16-17.

d) Infalível e inerrável: (= não contém nenhum erro, é incapaz de errar e de falhar): Mt 5:18; Jo 10:35b.

Temos 3 elementos essenciais no processo de inspiração:

Causalidade divina: Deus é a fonte primordial da inspiração da Bíblia. O elemento divino estimulou o elemento humano. Deus falou aos profetas e, em seguida, aos homens, mediante esses profetas. Deus revelou a estes homens as verdades da fé, e estes homens de Deus as registraram.

Mediação profética: Os profetas não eram robôs que ouviam um ditado de Deus e escreviam. Cada autor teve seu próprio estilo de escrita, suas personalidades não foram anuladas. Deus usou suas personalidades humanas para nos transmitir suas verdades.

Autoridade escrita: A Bíblia é a última palavra no que concerne a assuntos doutrinários e éticos. Todas as controvérsias teológicas e morais devem ser tratadas sob a luz da Bíblia. As escrituras receberam sua autoridade do próprio Deus, que falou por meio dos profetas. No entanto são os escritos dos profetas, e não os profetas que retêm a resultante da autoridade divina. Todos os profetas morreram, porém os escritos proféticos permanecem. Jesus disse que suas palavras não passariam. Entretanto Jesus nunca escreveu nada, mas sim os apóstolos. Como Jesus mesmo predisse: as palavras dele (Deus) permanecem para sempre, embora os apóstolos já tenham morrido.

Distinções importantes

Inspiração – Revelação e Iluminação

Revelação: exposição da verdade. Deus revelou seus pensamentos aos profetas.

Inspiração: Transmissão da verdade. Deus inspirou os profetas a escreverem essas verdades.

Iluminação: Compreensão da verdade. Deus nos ilumina a entender o que a Bíblia diz. (1 Co 2:14)

Inspiração dos originais, não das cópias

A rigor apenas os escritos originais foram realmente inspirados. Porém temos a ação preservadora de Deus para que cópias fossem feitas deste originais sem alterar a mensagem de Deus para os homens.

A isto chamamos de inspiração derivada, uma vez que foram cópias fiéis dos autógrafos.

Para fins práticos, a Bíblia em nossa língua e época, por ser transmissão exata dos originais, é a Palavra de Deus inspirada.

Alguns perguntam como é possível afirmar  que os originais não continham erro, se não podem ser examinados. A resposta é que a inerrância bíbl;ica não um fato que pode ser comprovado, mas uma crença baseadano ensino da Bíblia e respeito de sua inspiração, bem como baseada na natureza altamente precisa da grande maioria das Escrituras transmitidas e na ausência de qualquer prova em contrário. Afirma a Bíblia ser a declaração de um Deus que não pode cometer erros.

NOTA ARQUEOLÓGICA: Os pergaminhos achados no Mar Morto, revelaram a exatidão de trechos do profeta Isaías com os textos da época. Isto nos fornece base para crermos que a Bíbia é realmente a palavra preservada de Deus até nossos dias.

Inspiração do ensino

O que a Bíblia nos ensina foi inspirado e não apresenta erro. Porém, devemos ressaltar que na Bíblía estão registrados eventos que ela mesma condena, pois são de fato, pecado, e não devem ser imitados ou seguidos.

A Bíblia narra por exemplo algumas mentiras de Satanás. O que a inspiração divina nos garante é que se trata de um registro verdadeiro de uma mentira satânica, uma perversidade real de Satanás.

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